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Salmo 127

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Salmos

"ORAI PELA PAZ DE JERUSALÉM! SEJAM PRÓSPEROS OS QUE TE AMAM. REINE PAZ DENTRO DE TEUS MUROS E PROSPERIDADE NOS TEUS PALÁCIOS. POR AMOR DOS MEUS IRMÃOS E AMIGOS, EU PEÇO: HAJA PAZ EM TI! POR AMOR DA CASA DO SENHOR, NOSSO DEUS, BUSCAREI O TEU BEM" SALMOS 122.6-9
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Breve História do Povo Judeu

Disse Gräetz que são dois os povos criadores da civilização humana: o helênico e o hebreu*. O povo helênico sucumbiu "quando as falanges macedônicas e as legiões romanas lhe mostraram a vida sombria, grave e sem sorrisos, como a que haviam conhecido; então sua sabedoria transformou-se em excentricidade". O hebreu, ao contrário, permaneceu vivo em meio a impérios que se extinguiam, porque soube dar à vida um fim determinado e ponderado. Querendo, pode-se chamar a este objetivo do povo israelita "a moral pura" e, ainda que a palavra esteja muito aquém da idéia, o que interessa destacar é que o povo judeu entendeu que seu dever é tomar a sério essa "moral pura".

* O autor deve estar se referindo à civilização ocidental; mesmo assim a afirmação desconsidera outros povos importantes. (mgh)

Para que se possa compreender isto, é necessário conhecer, ainda que sumariamente, a história do povo de Israel. Portanto, daremos uma síntese dos acontecimentos pelos quais passou o povo judeu, desde os tempos mais remotos.

Corria o ano 2140 (a.e.C.), ou seja, há mais de 4.100 anos atrás. Um homem inspirado chamado Abraão, habitante da alta Mesopotâmia, recebeu de D-us a ordem de abandonar sua cidade natal e estabelecer-se num país que lhe seria designado, fundando ali um povo que seria cumulado de favores e objeto de especial predileção. Abraão estabeleceu-se com seus rebanhos no país de Canaã. Seu poder patriarcal passou a seu filho Isaac e deste para Jacob que depois o passou para seus doze filhos. Um destes, chamado José, vendido como escravo ao Faraó, rei do Egito, soube captar tal prestígio e autoridade, que chegou a ser vice-rei do Egito. Nesta qualidade chamou seus irmãos e lhes entregou a terra de Goshen para que a cultivassem e vivessem de seus produtos. Os israelitas tornaram-se tão numerosos e fortes, que os reis do Egito, temerosos de sua importância, os submeteram a dura escravidão, acabando por decretar a morte de todos os filhos varões que nasceram naquele povo. Porém Moisés, um desses meninos, jogado às águas do Nilo, foi salvo pela filha do Faraó e educado na corte do rei. Mais tarde esse menino seria o libertador daquele povo e seu legislador. Efetivamente, por decreto divino, Moisés organizou o grande êxodo dos israelitas, que segundo a Bíblia foi de 600.000 homens. Em busca da Terra Prometida atravessaram o golfo ocidental do Mar Vermelho e passaram 40 anos no deserto experimentando todas as dificuldades da vida nômade. Ao pé do Monte Sinai, Moisés deu aos israelitas o Decálogo, ou seja, os Dez Mandamentos, supremo código moral da humanidade.

Antes de morrer, Moisés nomeou como seu sucessor Josué, o qual, depois de atravessar o Jordão e derrotar os inimigos que se opunham à sua marcha vitoriosa, distribuiu as terras conquistadas entre as doze tribos. Josué foi sucedido pelos Juízes, entre os quais Jefté, Sansão e Débora, que nos legou um canto lírico (+) de grande magnitude. O último dos juízes foi Samuel, que a pedido do povo, mudou a forma de governo e instituiu a monarquia, nomeando Saul como primeiro rei. Morto Saul, entre vitórias e derrotas, foi David ungido como rei e a este sucedeu seu filho Salomão, o qual levou o país ao cume da felicidade e causou a admiração de todo o Oriente e Ocidente por seu saber e sua sagacidade.

(+) Juízes, 5

Após a morte de Salomão, seu reino foi dividido entre Roboão, seu filho, e Jeroboão, seu adversário; o primeiro contava com duas tribos e o segundo com dez, tendo havido entre eles uma luta constante. As nações vizinhas aproveitaram-se desta discórdia para sua própria expansão e o povo de Israel perdeu assim o caráter específico que lhe havia assegurado o rei Salomão.

Depois de uns poucos anos de reinado, Roboão foi vencido, primeiro por Sisac, rei do Egito, que tomou Jerusalém e se apoderou do Templo e dos tesouros reais, e segundo por Nabucodonosor, rei da Babilônia.

Pelo trono de Israel desfilaram então alguns reis indignos como Ahab, Joram, Jezebel e Atalia. Todos estes acontecimentos foram prelúdios da grande derrota que sofreu o povo hebreu ao cair em mãos de Senaquerib e Salmanasar, que o levaram cativo para a Assíria. Começou assim o grande êxodo; os judeus choraram, se desesperaram, procuraram consolo nas palavras dos profetas, e o judaísmo ampliou seu campo. Já não era a religião do pequeno povo que vivia à margem do Jordão. O D-us dos filhos de Israel, a quem estes haviam atraiçoado e por isso sofriam o exílio, passou a ser, de D-us de um povo dolorido e prostrado, o D-us de toda a humanidade. Os exilados haviam rompido o círculo do nacionalismo e acercavam-se do universalismo; e quando por fim Ciro, destruído já o império assírio, permitiu aos desterrados que voltassem a seu país, Esdras e Nehemias trabalharam para formar novamente um povo, ao qual proporcionaram uma moral mais elevada que a anterior.
A parte do território onde o povo se estabeleceu foi chamada Judéia e seus moradores receberam o nome de judeus. Povoaram novamente as cidades e obtiveram permissão para reconstruir o Templo e as muralhas de Jerusalém. A forma de governo daquele novo Estado foi uma espécie de república teocrática. O povo vivia tranqüilamente, refazendo-se do abatimento de que havia sido vítima durante os anos de cativeiro na Babilônia. No tempo dos selêucidas, sírios de forte influência cultural helênica, o povo judeu sofreu muito novamente, pois estes soberanos o sobrecarregavam de impostos e o perseguiram por sua religião.

Antíoco Epífânio mandou erigir uma estátua de Júpiter Olímpico no meio do Templo e fez morrer muitos judeus que não quiseram abjurar de suas crenças ante essa divindade. Surgiu então uma família cujos membros uniam a um grande talento militar, notórios dotes de governantes. Foram os macabeus. O primeiro deles que resistiu aos decretos de Antíoco foi Matatías, que matou um oficial e por isso viu-se obrigado a fugir para as montanhas seguido de um punhado de valentes. Seu filho Iehuda, o Macabeu venceu os sírios em diversos encontros; entrou vencedor em Jerusalém e restabeleceu o culto divino. Após a morte de Iehuda, seus irmãos Jonatan e Simão continuaram sua obra, lutando pela liberdade de sua pátria, até obrigar Antíoco a aceitar a paz.

O judaísmo saiu vitorioso de seu choque com o helenismo. Conhecia-se sob este nome a forma de civilização grega que, estando já a Grécia em decadência, foi difundida pelo mundo asiático e egípcio por Alexandre Magno e especialmente por seus sucessores. O helenismo difundiu-se também na Judéia, onde o sentido grego da vida, mais superficial e cheio da formosura da natureza, havia entusiasmado muitos judeus que, possuindo possivelmente tendências assimilacionistas muito desenvolvidas, haviam começado a sentir o peso de sua doutrina mãe, demasiado séria e de suas normas de vida muito severas.

Na Judéia o helenismo foi combatido com armas pelos macabeus e verbalmente pela obra incansável e contínua dos sábios, os quais, com o correr dos séculos foram substituindo os profetas. Enquanto os hassidim, isto é, os puros, os defensores dos hashmoneus, se afastavam da visa política, surgiu um novo partido, melhor dito uma nova seita: a dos saduceus. Estes, aferrados com vigor ao sentido literal do código sacerdotal da Torá, não prestaram atenção e rechaçaram a lei oral que ia se difundindo entre o povo por obra de outra seita: os fariseus. Os fariseus representaram na época hashmonéia e mais tarde na queda de Jerusalém o verdadeiro elemento salvador do judaísmo. Com efeito, estabeleceram uma doutrina intermediária entre a dos saduceus, rígidos sacerdotes que, apesar de seu sacerdócio dedicavam demasiado tempo à vida mundana, e a dos essênios, que com seu ascetismo e sua vida contemplativa se esqueciam da vida humana, de suas necessidades e suas desditas. Os fariseus, por seguirem a lei oral, foram os iniciadores do vastíssimo trabalho que se conhece com o nome de Mishná.

E enquanto os doutos sábios trabalhavam pelo desenvolvimento da moral do povo, a política ia piorando de dia a dia. Uma espada mais pesada e mais forte que a dos gregos, a de Roma, havia chegado ao Oriente. Os judeus, com suas lutas religioso-filosóficas e com seu D-us, muito acima dos do Panteão Romano, molestavam os imperadores que viam neles uma causa perene de tumultos.

E começou a guerra judaica.
Durante anos luta seguiu e por muitos meses foram sitiados Jerusalém e seu santuário; e no ano 70 (e.C.) o imperador Tito conseguiu entrar na cidade: incendiou o templo, assassinou e vendeu a maior parte de seus habitantes, começando assim para o judeu o exílio que durou 2 mil anos.

Parte dos judeus imigrou para as regiões asiáticas; outros fixaram sua residência no ocidente, enquanto os judeus de Alexandria, os já helenizados, continuaram vivendo no mesmo ambiente e desenvolvendo sua cultura à sua maneira.

Enquanto os exilados procuravam salvação em diversas terras e se preocupavam com sua vida e seu trabalho, na Judéia, cognominada de Palestina pelos romanos, continuava-se vivendo sob certa autonomia. Na escola de Iavne, onde o rabi Johanan ben Zacai havia salvo o judaísmo, formou-se uma academia e um tribunal supremo, cujo chefe chamava-se Nassí (príncipe), nos quais foram se desenvolvendo as idéias para a formação da Mishná primeiro, e do Talmude depois. Enquanto os sábios trabalhavam sem descanso para eternizar o judaísmo, os homens que em sua vida diária mal suportavam o jugo romano, encontraram um chefe e se rebelaram. Encabeçados por Bar-Kochba e apoiados pelo sábio Aquiva, os judeus entregaram-se à luta. Lutaram com todo o vigor, com toda a força que imprime nos músculos a visão da liberdade que assoma nas consciências, mas a rebelião foi sufocada com grande derrame de sangue, morrendo ambos os chefes como mártires de uma idéia que não puderam chegar a converter em realidade.

Depois desta derrota adormeceu por séculos o alento patriótico do povo judeu. Cada um reclinou a cabeça e suportou sua desgraça limitando seu pensamento à vida diária, deixando a seus rabinos e sábios o cuidado da Torá e do judaísmo. Enquanto a falta de esperança, pior que o desespero, apoderava-se de cada indivíduo, nas escolas da Palestina e da Babilônia os doutos, surdos aos apelos da vida, continuavam compilando os livros que representariam no correr dos séculos a salvação do judaísmo e do judeu. A Mishná, obra dos tanaístas, veio à luz no século II, enquanto os amoraítas trabalhavam na compilação do Talmude.

Foi sobretudo na Babilônia que os estudos alcançaram um desenvolvimento excepcional. Com efeito, na Mesopotâmia o número de judeus ia aumentando consideravelmente. As comunidades mais importantes, como as de Mahuza, Nehardea e Pumbedita, eram sede de distintas academias.

Nomeou-se um exilarca de procedência davídica como chefe do judaísmo babilônico. Mais tarde, a autoridade do exilarca foi diminuindo e os verdadeiros guias foram os gaons, chefes das distintas academias. Desta maneira a vida dos judeus transcorria num feliz desterro, dedicada ao desenvolvimento cultural, filosófico e moral.

Na diáspora romana, porém, as coisas não sucediam assim. No ano 350, ao subir Constantino ao trono, começou contra o povo judeu uma política de coação, atenuada no entanto nas regiões onde os judeus sujeitaram-se ao islamismo, pagando pesados tributos para poder desta forma dedicar-se tranqüilamente ao comércio, como em Bagdá, Cairo e toda a Espanha muçulmana.

Assim, no século IX houve comunidades judias no Cairo, Fez e Marrocos, enquanto na Babilônia, uma vez conquistada a Pérsia pelos muçulmanos, vinha ocorrendo o mesmo fenômeno. O povo judeu, portanto, pôde continuar seu desenvolvimento cultural somente nos países muçulmanos, onde tinha uma vida mais tranqüila, igual aos outros povos, e dedicar-se a qualquer tarefa ou ocupação.

Em troca, no mundo cristão, à medida que o cristianismo ia ganhando terreno no monopólio das fontes de riqueza dos países do Ocidente, ia a influência judaica pouco a pouco voltando ao estado de prostração em que esteve mergulhada nos últimos tempos do império romano. Os judeus não podiam ter autoridade alguma sobre os cristãos; eram afastados dos cargos públicos e eram privados dos direitos de cidadania quando implicava em algum cargo de autoridade, como ter escravos, servos e até criados domésticos.

Os cristãos deviam evitar todo contato social com os judeus, os quais deveriam ter uma marca ou distintivo em suas roupas ou em alguma parte visível do corpo.

Desta maneira, os antigos hebreus e agora os judeus que eram um povo essencialmente agrícola, sem aptidão especial e sem gosto pelo comércio, viram-se obrigados, na sua qualidade de estrangeiros numa população urbana e mercantil, a mudar suas características de vida. A partir da época feudal, especializaram-se cada vez mais no comércio e na medicina, que podiam exercer pois lhes eram vedadas todas as outras profissões. O judeu, por causa das leis canônicas, chegou a ser banqueiro por excelência, e "judeu" e "banqueiro" tornaram-se vocábulos sinônimos. Desta maneira foram criando tanto inimigos como credores e, ao despertar o espírito comercial quando a submissão às leis canônicas foi decaindo ante o imperativo da luta pela existência, o capitalista cristão perseguiu no judeu o competidor e detentor de um monopólio produtivo.

Na Espanha, onde os judeus já viviam desde o século III (e.C.), a população judaica aumentou notavelmente depois da batalha de Guadelete (711) como conseqüência da invasão dos árabes, provavelmente por ter ficado ali grande número de judeus que tinham vindo com os muçulmanos. A situação dos judeus melhorou, prosperaram e houve reis que tiveram médicos, astrônomos e músicos judeus. Chegaram a possuir terras, indústrias, faziam serviço militar sem qualquer restrição, iguais aos outros cidadãos e em certas jurisdições estavam no mesmo pé de igualdade com os fidalgos. Neste ambiente, os judeus começaram a desenvolver na Espanha uma atividade cultural que é tida como a "Idade de Ouro" da história judaica.

Durante três séculos o judaísmo floresceu em Granada, Córdoba, Sevilha, Saragosa, Barcelona, etc., dedicando-se seus integrantes a produzir obras literárias, dando início aos comentários sobre o Talmude, que tornaram mais fácil a procura de qualquer dado. Com a ascensão da ciência árabe, muitos judeus que também escreviam neste idioma começaram a ocupar-se da filosofia. A cultura hebraica deu seus melhores frutos naquela época. É desse período o sábio e venerado Maimônides. Os rabinos não tratavam apenas de obras religiosas, morais e filosóficas e sim de todos os temas e argumentos. Assim guiado, o judeu ampliou sua missão; o homem da sinagoga passou a ser homem do mundo, participava da vida pública, ajudava os monarcas árabes em suas empresas e em sua política e mais tarde auxiliou também os ingratos soberanos da Espanha a aumentar sua potência e a conquistar um império. A par disto, homens de ciência e audazes navegantes judeus colaboraram nas façanhas que levaram os portugueses para além do Cabo da Boa Esperança, até as Índias. Não obstante, os judeus não esqueceram sua antiga pátria; com exceção de alguns que voltavam para a Terra de Israel para ali terminar seus dias, os outros criaram raízes na Espanha, vivendo ali como em sua antiga terra. De Sefarad, nome hebreu da Espanha, derivou o nome sefaradim, como se fizeram chamar os judeus, pensando com isto conquistar sua tranqüilidade e seu lugar no mundo.

Mas não foi assim. Repentinamente estalou um movimento anti-judeu e, numa quarta-feira de cinzas de março de 1391, uma multidão turbulenta irrompeu no bairro judeu da cidade de Sevilha. No dia 9 de junho, uma orgia de matança apoderou-se da cidade. Dali o tumulto popular propagou-se a Córdoba, onde morreram dois mil hebreus. Continuou avançando até Toledo, onde o populacho, em sinal de fé cristã, marcou para a matança de judeus o dia 17 de Tamuz (20 de junho), em cuja triste e vergonhosa jornada correram torrentes de sangue israelita pelas ruas da cidade imperial, sem perdão de idade ou sexo. Sucederam terríveis matanças em cerca de setenta comarcas. Poucos dias depois do massacre de Toledo, o povo de Valência desafogava seu fanatismo contra os judeus, esfaqueando os seus cinco mil e contagiando com seu furor as ilhas Baleares, em cuja capital, Maiorca, cometeu-se toda sorte de atropelos, prelúdio da trágica matança levada a cabo em Barcelona no dia 2 de agosto de 1391, na qual pereceram onze mil judeus.

A partir desta época, o judaísmo espanhol, cortado ao meio, arrastou uma vida apática até que recebeu o golpe mortal com a Inquisição, fundada na Espanha em 1480. No dia da conquista de Granada, assegurada graças ao apoio moral e material dos judeus e que coroava a unidade espanhola e o triunfo da cruz, os reis Fernando e Isabel, sob a influência de Torquemada, ordenaram a expulsão de todos os judeus do território espanhol (31 de março de 1492). De 500 a 600 mil infelizes, sem outra culpa a não ser permanecer fiéis à religião e a crença de seus pais, tomaram o caminho do desterro, sendo este novo êxodo acompanhado de terríveis sofrimentos e toda sorte de privações.

Em Portugal, os judeus levavam, até então, uma vida relativamente calma, mas como Manuel, rei de Portugal, estava em boas relações com Fernando, o católico, do qual iria tornar-se parente, e achando que em seu caráter de monarca absoluto não ficaria mal a política absolutista de seu colega, proibiu aos fugitivos da Espanha a entrada em seu reino. Muitos judeus da Espanha, assim como de Portugal, emigraram para países mais hospitaleiros como a Itália, Turquia, Holanda, etc.

Na Itália, devido talvez à sua política, como também pela persistência das tradições romanas e certa suavidade de costumes desse país, os judeus não sofreram grandes contrariedades nem tiveram que emigrar. Não tardaram a entrar no comércio e a ter negócios com outros países. Fugitivos da Espanha e de Portugal, os judeus tiveram acolhida em vários estados italianos; porém também ali a Inquisição acabou imediatamente com a liberdade que tinham e a maior parte daqueles infelizes teve que tomar novamente o caminho do desterro. Foi em Roma que a existência dos judeus sofreu misérias.

Na França, os judeus viveram de uma maneira diferente. Em sua maioria comerciantes, havia também entre eles tesoureiros fiscais, marítimos e médicos. Sob a dinastia dos Merovíngios começaram as perseguições. A situação melhorou bastante durante o período Carolíngio.

Com os Capetos a vida judaica tornou-se insuportável no norte da França. Apesar disso, surgiu um vulto dentro do judaísmo francês da Idade Média - Rashi (rabi Shlomo Itzhak) - em torno do qual se agruparam muitos discípulos. Nos fins do século XII os judeus foram expulsos da França, mas continuaram vivendo ali, mesmo sofrendo, até o século XIV.

Melhor era sua situação no sul da França, em Provença. Por isso puderam dedicar-se aos estudos e criaram escolas famosas, cultivando a filologia, a medicina, a filosofia e a poesia. Há notícias de judeus na Provença até fins do século XV. Desde então, até pouco antes da época de Napoleão, não existiu na França o problema judeu, porque não havia judeus.Na Alemanha estabeleceram-se judeus desde tempos muito antigos. O primeiro documento de uma comunidade judaica na Colônia data do ano 321. Até a época dos últimos Carolíngios sua situação era muito boa. Floresceram escolas em Metz e Mogúncia, onde ensinou o célebre rabi Guershon ben Judá, chamado "Luz da Diáspora". Quando começaram as Cruzadas e uma onda de fanatismo se apoderou dos homens, caiu sobre os judeus a espada de Damocles. Comunidades inteiras como as de Espira, Worms, Mogúncia e Colônia foram assassinadas. Mais tarde, ao estalar da Peste Negra, o cólera (1340-1351), mais de 340 comunidades foram quase que totalmente exterminadas, quando os judeus foram acusados de envenenar os poços de água.

Na Áustria-Hungria, a história do povo judeu apresenta vicissitudes mais complexas que em outras nações. Os reis magiares serviam-se dos judeus como preceptores, tesoureiros e administradores de suas fazendas e de seus investimentos industriais. Mesmo quando a Santa Sé romana interveio várias vezes para impedir estas relações, os soberanos voltaram atrás depois de haver acatado temporariamente as prescrições da cúria romana. os séculos XIV e XV foram nefastos para os judeus austríacos. Durante o tempo em que o cólera açoitou aquelas regiões, os judeus foram expulsos da Hungria e, ainda que os tenham chamado depois, não recobraram jamais seu primitivo prestígio, não puderam mais ter cargos públicos e foram obrigados a usar um capuz como distintivo de sua religião. Em 1386, foram vítimas de ultrajes horrorosos em Praga e outras cidades. A situação moral e material dos judeus da Áustria e Hungria melhorou, todavia, graças aos esforços de Mordechai Meisel, o primeiro milionário alemão, e de Lipman Heller, rabino de Viena.

Na Europa oriental, os judeus haviam se estabelecido desde a destruição do primeiro Templo. Na Polônia, eles chegaram por volta do século IX, procedentes da Alemanha e Boemia. Ali gozavam de uma hospitalidade liberal, crescendo notavelmente a população judaica durante os dois séculos seguintes.

O duque de Kalisz e de Guesen, assim como Casimiro, o Grande, outorgaram-lhes uma liberdade ilimitada no comércio. Os judeus poloneses tinham por inimigos o clero e os negociantes alemães, e, na Ucrânia e na Rússia européia, além dos já citados, tinham como inimigos os cossacos de rito grego, oprimidos pelos ricos da Polônia, cujos intendentes eram judeus. O judaísmo desapareceu da Ucrânia e, nas outras regiões, sofreu muito em virtude das prolongadas guerras entre russos, suecos e polacos.

Na Criméia e na costa do Mar Negro existiam algumas comunidades antes da era cristã; para lá dirigiram-se muitos judeus, depois da destruição do Templo. Assim difundiu-se o judaísmo nesses lugares e, devido à sua influência, registrou-se a conversão do rei dos cazares no ano 740 (e.C.). Muitos judeus do império bizantino foram para lá mas, quando o reino cazar ou cuzarí foi destruído (969), eles emigraram para a Rússia, onde, até o século XV, parece que levaram uma vida bastante tranqüila.

Na Inglaterra havia judeus desde o século VII (e.C.), mas notícias exatas só há a partir do século XI. Até o século XII a situação foi bastante boa, mas sob o reinado de Ricardo Coração de Leão começou em Londres e noutras localidades uma série de perseguições que se agravaram durante o reinado de João sem Terra. No ano de 1264 houve uma verdadeira matança e, por um decreto do ano de 1290, os judeus foram expulsos da Inglaterra, encontrando refúgio em Flandres, França, Alemanha e Espanha setentrional. Só puderam retornar no período de Oliver Cromwell, quase quatro séculos mais tarde.

Os judeus da Ásia e da África que viviam nos países muçulmanos puderam gozar de certa tranqüilidade durante um determinado período de tempo. Porém, depois da batalha de Rodas (624), começaram nos territórios muçulmanos graves perseguições. Omar expulsou-os da península arábica, admitindo-os novamente mais tarde.

Sob o domínio árabe, foi muito importante o desenvolvimento do judaísmo egípcio, sobretudo em Fostat, antigo nome do Cairo, capital do Egito.

Também em outras localidades da África setentrional foram-se formando comunidades judaicas muito importantes.

A descrição da situação do judaísmo nos principais estados europeus até fins da Idade Média é suficiente para se ter uma idéia de sua verdadeira orientação político-social.

Os judeus, que sob certos aspectos são considerados como um dos povos que tem vivido mais recolhido dentro de si mesmo e que, apesar das perseguições, conservaram incólume sua doutrina, viveram durante os tempos medievais e uma parte da idade moderna encerrados numa espécie de "círculo de ferro" chamado gueto.

A Reforma, a partir de 1517, num primeiro momento foi favorável aos judeus, pois o protestantismo modificou em parte a psicologia da época ao promover um maior interesse pelos estudos bíblicos, contribuindo assim para fazer luz sobre o passado e afirmando que a fé repousava sobre o Antigo Testamento. Observam alguns autores que Lutero com isso esperava poder converter os judeus para sua nova igreja. Depois de duas décadas, entretanto, vendo que não tinha conseguido seu intento, ele mudou de tática e passou a atacá-los violentamente. Vieram então os dias amargos pelos quais os fez passar o fundador do protestantismo. Ele tornou-lhes a vida extremamente sombria com seus escritos e suas publicações nos quais pregava que os judeus deviam ser mortos queimados ateando-se fogo às sinagogas enquanto rezavam. Quinhentos e poucos anos mais tarde, essas pregações foram utilizadas pelos nazistas para embasar sua tentativa de extermínio do povo judeu.

Os judeus voltaram à França no século XVI com a anexação da Alsácia e Lorena e com a formação de colônias de Anussim (judeus convertidos ao cristianismo à força) na França meridional. A Revolução os encontrou na guarda nacional. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, ao estabelecer o princípio de liberdade religiosa e de igualdade, produziu praticamente a emancipação dos judeus. Napoleão, apoiando este movimento nos anos de 1806-1807, convocou em Paris o grande Sanedrim.

Apesar da ótima situação judeu-francesa e apesar de ter sido a França a primeira a proclamar a liberdade dos judeus, ainda assim não pôde o francês eximir-se do anti-semitismo. Um exemplo disto foi o célebre processo André Dreyfuss, que comoveu o mundo inteiro e desencadeou, ao terminar seu julgamento, uma verdadeira onda anti-semita. Este episódio teve sua repercussão, nos últimos tempos, manifestada na atitude do governo de Vichy para com os judeus, desde o colapso da França em 1940. Há quem acredite que com esta atitude, o marechal Pétain quis desforrar-se da afronta que o militarismo francês sofreu com a reabilitação do capitão Dreyfuss.

Mas o caso Dreyfuss também foi um dos fatores que ajudaram a catalisar o surgimento do Sionismo, idealizado por Theodor Hertzl, um médico austríaco que se tornou escritor e jornalista e foi escalado pelo jornal em que trabalhava para cobrir o caso do capitão judeu francês acusado de alta traição e que mais tarde se revelou um dos maiores erros judiciários da História. A seqüência do julgamento e suas conseqüências levaram Herzl a escrever a obra "O Estado Judeu", organizando suas idéias e lançando as bases do Sionismo moderno.
Apesar dessas convulsões no organismo social da França, os judeus franceses prosseguiram desenvolvendo sua vida e sua cultura, pois sempre o mundo olhava a França como um guia de liberdade e fraternidade. Mas a França também tinha suas contradições. Voltaire, pensador que se desfez das amarras e dos preconceitos medievais, foi um anti-semita visceral. Já no século passado, por exemplo, figuravam no parlamento seis deputados e três senadores judeus. Nas esferas intelectuais francesas contava-se com várias personalidades proeminentes que gozavam de fama positiva. Esta era a situação francesa na época da invasão alemã em 1940.

Na Itália, na idade moderna, aos judeus ali já residentes foram-se agregando muitos exilados da Espanha, Portugal, Alemanha e França. Os da Espanha estabeleceram-se primeiramente na Itália meridional, donde foram expulsos por Carlos V, no ano de 1541; os da França e da Alemanha instalaram-se na Itália setentrional, no Estado pontifício. Até a época da Reforma, as condições de vida foram boas, porém, com a contra-reforma, os judeus voltaram a ser atacados.

Júlio III proibiu o estudo do Talmude. Os judeus foram encerrados em guetos, excluídos de suas profissões e finalmente, em 1569, expulsos de todas as cidades, menos Roma e Ancona. Em Toscana, Mântua, Ferrara e Veneza a situação era muito melhor. Na primeira destas cidades, por obra dos judeus e anussim imigrados da Espanha, surgiu a comunidade de Liorna.

Estas situações permaneceram quase inalteráveis até a Revolução Francesa. No ano de 1848, começou a emancipação dos judeus em certas localidades e a mesma sorte tiveram os que foram se agregando ao reino da Itália, gozando assim estas comunidades judias de uma das melhores situações na Europa.

Nunca estalou ali um movimento anti-semita e os judeus puderam ocupar posições destacadas tanto no terreno político como no cultural. Muitíssimos foram os professores universitários, os homens de ciência e os políticos. Contudo, também a Itália, desde o ano de 1938, foi envolvida na onda racial anti-semita.

Na Alemanha e na Áustria a época moderna caracteriza-se, no início, por uma grande tranqüilidade para os judeus. Em Hamburgo, no século XVI, os anussim puderam constituir uma comunidade importante; e em fins do século XVIII, também na Alemanha, começou o movimento de emancipação conseguida na Áustria nos anos de 1869-70.

Mas o alemão carrega em si, desde séculos, o ódio ao judeu. Nos tempos medievais ele matava em nome da cruz; depois, com a ascensão do nazismo extermina em nome de um mito racial. O fato é que sempre na Alemanha havia sede de sangue judeu e se procura na história uma causa para derramá-lo. E é por isso que, apesar da emancipação, ainda que o judeu alemão haja dado à sua nova pátria o melhor de si mesmo e sua maior glória com homens como Hertzl, Ehrlich, Einstein e Freud, o alemão não pode eximir-se de seu anti-semitismo. A vida judaica na Alemanha e na Áustria nunca teve o alento liberal que se podia respirar na França, na Itália, na Inglaterra e na América. A emancipação foi praticamente uma palavra, nunca um feito; tudo o que aconteceu na Alemanha desde 1933, e nos países dominados pelos nazis, não foi mais que uma conseqüência atávica do ódio profundamente arraigado nos corações teutônicos.

Na Holanda, depois da expulsão da Espanha, foram-se formando distintas comunidades judaicas, entre as quais celebrizou-se a de Amsterdã. Sua situação ali foi sempre boa, conseguindo-se logo a emancipação. Até a invasão nazista em 1940 continuaram gozando de todos os seus direitos.

Na Inglaterra os judeus foram admitidos novamente por Oliver Cromwell no ano 1657, graças à intervenção de Menasche Ben Israel. Em 1685, um decreto de Jacobo II declarava livre o culto hebreu e o exercício de suas práticas religiosas. Em 1701, edificava-se em Londres a primeira sinagoga. Os judeus que imigraram para a Inglaterra eram em parte sefaradim procedentes de Espanha e Portugal e em parte ashkenazim procedentes da Alemanha. Também aí a emancipação foi bem acolhida e, desde a segunda metade do século XIX, a Inglaterra foi um dos países onde os judeus encontraram melhores condições de vida e desenvolveram suas atividades tanto no terreno político como no cultural. Não se deve olvidar que o insigne ministro inglês Lord Beaconsfield, Benjamim Disraeli, foi judeu, e que o grande químico que salvou a Inglaterra das dificuldades da falta de combustíveis na guerra mundial de 1914-18 foi também judeu, o Dr. Chaim Weizman, que seria mais tarde o primeiro presidente do Estado de Israel.

Na Polônia, nos séculos XVI e XVII, a população judia aumentou notavelmente, chegando a seu máximo esplendor econômico, intelectual e espiritual. O judaísmo sefaradi parecia ter-se reduzido na vida difícil do desterro, mas a luz judaica não está destinada a apagar-se. Na Europa oriental e central, os chamados ashkenazim de Ashkenaz, isto é, Alemanha - recolheram a luz de seus irmãos da Espanha e iniciaram um importante trabalho intelectual.

Mais aferrados à tradição e à religião, seus movimentos foram mais religiosos que culturais. Por causa das perseguições e dos sofrimentos, difundiu-se entre eles a crença da chegada imediata do Messias. Shabetai Tzvi, aproveitando vantagens momentâneas, entusiasmou, para logo desiludir, as povoações judias da Europa central e oriental.

Quando este pensamento coletivo que fez brotar uma esperança salvadora apagou-se, a sonhada época messiânica e o falso messias tiveram seu fim como conseqüência da falta de lógica do pensamento que os gerou. Surgiu então outro movimento místico-religioso: o hassidismo. Foi iniciado por Israel Baal Shem Tov; e a multidão deu-lhe prosseguimento e até nossos dias o hassidismo continua vivendo entre os judeus da Europa Oriental.

Com o século XVII terminou a vida tranqüila dos judeus na Polônia, iniciando-se as perseguições, a matança e a escravidão moral. Sua condição na Polônia e na Rússia, apesar de todas as emancipações, continuou sendo a mais triste de todas; por isso o judeu polonês sempre considerou a emigração como o único meio de salvação. Depois da 1ª Guerra Mundial, a situação foi aparentemente melhorada em virtude da ação de Pilsudsky. Hoje é muito doloroso falar dos judeus da Polônia, dizimados pelos nazistas.

Na Rússia, ao modificar-se em 1742 a lei que proibia aos judeus viver em território russo, começou a imigração para lá e em 1804 obtiveram os judeus algumas concessões, sendo, porém confinados em determinadas regiões. Em 1840 o Conselho de Estado adotou um processo para melhorar a situação judaica, mas em 1843, imputando aos judeus o exercício de contrabando, obrigaram-nos a residir em cidades distantes 60 quilômetros da fronteira. Em 1874 foi promulgada a lei de serviço militar obrigatório; mas o anti-semitismo muito difundido produziu os tristemente célebres progroms (assaltos seguidos de pilhagens, violência e massacres), sendo particularmente grave o de Kishinev. Pela melhora relativa em suas condições diárias de vida, os judeus puderam desenvolver sua vida intelectual. Muitos são os homens de letras judeu-russos que enriqueceram nossa literatura com suas obras. Durante a revolução, os judeus obtiveram todos os direitos e o anti-semitismo foi considerado pelo governo dos sovietes como um grave delito. É claro que a religião foi perseguida, assim como outras religiões, e o judeu russo não sentiu diferença alguma do russo ortodoxo neste sentido; isto significa que três milhões de judeus ficaram totalmente isolados do judaísmo. Houve uma tentativa, fracassada, de Stálin criar uma república soviética judaica, um território autônomo que levou o nome de Birodidjão, no extremo oriente russo, numa terra inóspita entre a China e o mar do Japão.

Na Romênia, a população judia aumentou muito no século XVII devido às imigrações procedentes da Polônia e da Rússia. A emancipação teve ali muito pouco êxito e, na realidade, a Romênia foi a única nação cristã onde a tolerância religiosa não encontrou guarida.

Persiste ali, de certo modo, a influência da dominação russa, que infiltrou superstições no povo. Ainda que a lei proteja todos os cultos, os judeus tinham seus templos e um deles, a sinagoga de Bucareste, seja notável como monumento, a predominância religiosa atual do país é a ortodoxia grega. Durante a 2ª Guerra Mundial os romenos encontram no nazismo um impulso para a perseguição aos judeus.

Na Turquia, os judeus expulsos da Espanha foram bem acolhidos e sempre viveram bem ali. As comunidades fundadas em Constantinopla, Esmera e Salônica floresceram cada vez mais. No século XVII os judeus do império turco tomaram parte no movimento messiânico de Shabetai Tzvi. Em geral, a vida dos judeus turcos foi tranqüila até o início da 2ª Guerra Mundial

Na América, o judaísmo começou com a chegada dos primeiros judeus da Espanha que vieram em companhia de Colombo. Desde então foi aumentando a imigração judaica para as Américas. Em 1665 constituiu-se em Nova Iorque (então Nova Amsterdã) a primeira comunidade israelita, fundada por parte dos judeus que deixaram Recife, no Brasil, onde viviam bem até que os holandeses foram expulsos e a Companhia das Índias Ocidentais perdeu o território que ocupava em Pernambuco . Em 1790 a Constituição dos Estados Unidos estabeleceu a liberdade de religiões e, mais tarde, em princípios do século XIX, a igualdade de direitos. A imigração da Europa Oriental aumentou depois que o Barão Maurício Hirsch (1831-93) fundou a Jewish Colonization Association (JCA) que estabeleceu colônias na Argentina para os perseguidos da Rússia e da Polônia.

Na realidade, pode-se afirmar que a condição dos judeus em toda a América do Norte desde então tem sido a melhor do mundo.

Em novembro de 1947 a Organização das Nações Unidas (ONU) votou pela partilha da Palestina para a criação de dois países, um para os judeus e outro para os árabes palestinos.E em maio de 1948, após dois mil anos de espera pelos judeus, David Ben Gurion proclamou a independência do Estado de Israel.

Quadro Cronológico da História Judaica

Quadro Cronológico da História Judaica
Época Bíblica
Séculos XX-XVII
Primeira emigração dos hebreus para Canaã. Os Patriarcas.
Séculos XVII-XIII
Os Bnei-Israel no Egito.
Século XIV
Textos de Ras-Samra. Taboínhas de Tel-El-Amarna.
Séculos XIII-XII
Aliança do Sinai. Os Bnei-Israel ocupam a Palestina.
Século XIII
Formação do alfabeto hebréo-fenício.
Século XII
Começo da literatura bíblica.
Séculos XII-XI
Época dos Juízes.
Século XI
Guerra com os filisteus; começo do Reino Unido de Israel.
1067-1055
Reinado de Saul.
1055-1015
Reinado de David.
1015-977
Reinado de Salomão.
Século X
Primeiras produções literárias de importância, em Israel e Judá. O Templo de Salomão.
977-830
Cisão no reino: Judá e Israel.
922-901
Ahab. Guerras com a Síria.
Século IX
Elias, Eliseu; o "Jehovista".
843
Revolução de Jehu em Israel.
836
Revolução em Judá.
788-747
Jeroboão II.
760
O profeta Amós.
722
Desaparição do reino de Israel.
Segunda metade
do século VIII
O profeta Isaías.
701
Assédio de Jerusalém por Senaquerib.
620
Reforma de Josias. Uma parte de Israel se une com Judá.
Fins do século VII
e princípios do VI
O profeta Jeremias.
597
Cativeiro de Jechonias.
Primeira metade
do século VI
O profeta Ezequiel.
586
Destruição de Jerusalém. Cativeiro de Sedecias.
Segunda metade
do século VI
Isaías II.
537
Ciro permite aos judeus da Babilônia voltar à Judéia.
520
Hagai e Zacarias.
520-516
Reconstrução do Templo em Jerusalém.
458-443
Esdras e Nehemias em Jerusalém. Reformas.
Século V
Difusão do arameu. Redação definitiva do Pentateuco. Os samaritanos constrõem um templo próprio no monte Guerizim.

Época Talmúdica
332 a.C.
A Judéia é ocupada por Alexandre Magno.
320-198
A Judéia sob o domínio dos Ptolomeus.
Séculos IV-III
O Livro de Job, os Provérbios e os Salmos.
Séculos III-II
Formação de um grande centro judeu no Egito. Versão grega da Bíblia. O Cântico dos Cânticos. Eclesiastes. Ben Sira.
198-167
A Judéia sob a hegemonia dos seleucidas.
Século II
Começo da literatura judaica em grego.
167
Sublevação dos Hashmoneus.
161
Judá Macabeu morre em combate.
140
A Judéia torna a ser um Estado independente.
Fins do século II
Luta entre fariseus e saduceus. O livro de Daniel e uma série de capítulos dos Salmos (Os "Aleluia").
140
Simão Hashmoneu.
135
Johanan Hircano.
103
Alexandre-Janeo.
67
Luta entre os irmãos Hircano e Aristóbulo.
63
Pompeu conquista Jerusalém.
Século I
As primeiras comunidades israelitas na Itália. Aparição dos essênios.
37-4
Herodes.
Fim do século I a.C.
Começo do século I d.C.
Hilel e Shamai.
Século I
Jesus de Nazaré.
38 d.C.
Distúrbios anti-judaicos em Alexandria.
Primeira metade
do século I
Filon da Alexandria.
6-40
Procuradores romanos na terra da Judéia.
41-44
Agripa.
44-46
Últimos procuradores romanos na Judéia.
66-73
Guerra com os romanos. Destruição de Jerusalém.
Segunda metade
do século I
Flávio Josefo.
70
Fundação da Academia de Iavne.
115-117
Sublevação de judeus contra Roma, na Mesopotâmia e África do Norte.
132-135
Sublevação de Bar Cochba.
200
Redação da Mishná.
Séculos II-IV
Os primeiros centros na Espanha, França e Alemanha.
219
Rav e Samuel fundam academias talmúdicas na Babilônia.
350-351
Sublevação de judeus na região da Galiléia.
350-400
Redação definitiva do Talmud de Jerusalém.
352-427
Rab Ashi.
429
Supressão do Patriarcado.
523-525
Rei judeu no Yemen.
500
Redação definitiva do Talmud da Babilônia.
Século VI
Perseguições e restrições contra todos os judeus e samaritanos na Palestina.
613
Conversões forçadas na Espanha visigoda.
614-628
A hegemonia persa na Palestina. Sublevação dos judeus contra Bizâncio.
628-638
Duras perseguições contra os judeus na Palestina.
Idade Média
624-628
A Guerra de Mahomet contra os judeus na Arábia.
628-639
Conversões forçadas no reino dos francos.
638
Jerusalém novamente acessível aos judeus.
649-711
Perseguições na Espanha visigoda.
717-741
Perseguições em Bizâncio.
760
Propagação da seita caraíta. Anan Ben David.
Séculos VII-X
Época dos gaons na Babilônia.
Séculos IX-XII
Florescimento da cultura judéo-arábica.
850
A lei muçulmana sobre o uso do redondel amarelo.
882-942
Saadia Gaon.
910-970
Hasdai Ibn Shaprut, chefe dos judeus em Córdova.
932-965
José, rei do reino semi-judeu dos czares.
Séculos X-XI
Florescimento da autonomia judaica na França e Alemanha.
960-1040
Rabeinu Guershon.
Século XI
Florescimento da cultura hebréa na Espanha.
982-1055
Samuel Naguid.
1066
Massacre dos judeus em Granada.
1096
Primeira Cruzada.
1013-1103
Isaac Alfassi.
1020-1070
Salomão Ibn Gabirol.
1040-1105
Rashi.
Séculos XII-XIII
Florescimento da cultura judaica na Espanha. Propagação da Cabala. Os Tosafistas na Europa Ocidental.
Séculos XII-XV
Expulsão da Alemanha e emigração à Europa Oriental.
1070-1138
Moisés Ibn Ezra.
1085-1140
Judá Halevi.
1135-1205
Maimónides.
1215
Restrições anti-judaicas do Conselho de Latran.
1247
Bula papal contra o crime ritual.
1245-1310
Salomão ben Aderet - o "Rashba".
1250-1327
Asher ben Yehiel ("Rosh").
1251
Estatuto judeu na Hungria.
1264
Privilégios para os judeus da Polônia.
1290
Expulsão da Inglaterra.
1306-1394
Expulsão da França.
1340
Morte de Jacob ben Asher, autor do código "Turim".
1348
A "Morte Negra".
1391
Massacre de judeus na Espanha.
1492
Expulsão da Espanha.
Séculos XIV-XVI
Sintomas de renascimento na Itália.
1497
Expulsão dos marranos de Veneza.
1498
Expulsão de Portugal.
Tempos Modernos
1488-1575
José Caro, autor do Shulhan Aruch.
1510-1573
Salomão Lúria ("Rashal").
1520-1570
Moisés Iserles ("Rama").
1524-1532
Movimento messiãnico em torno de David Al-Roy e Salomão Molcho.
1534-1572
Isaac Lurie ("Ari").
1544-1546
"Cartas de proteção" em favor dos judeus alemães.
1553-1560
Perseguições contra o Talmud na Itália.
1579
Morte de José Nassi na Turquia.
1598
Formação da comunidade israelita na Holanda.
Séculos XVI-XVIII
Período de auto-administração judaica na Polônia.
1604-1657
Menassé ben Israel.
1614
Distúrbios anti-judaicos em Frankfurt.
1616
"As teses contra a tradição" de Uriel da Costa.
1632-1677
Spinoza.
1648
Massacres de Chmielnicki.
1649-1656
O retorno dos judeus para a Inglaterra.
1666
O movimento messiânico em torno de Sabatai Zevi.
1674-1724
"Judeus da côrte" em Viena.
1697
Comunidade de judeus alemães em Hamburgo.
Séculos XVII-XVIII
Processos por crimes rituais na Polônia.
1732
os sefaraditas novamente considerados legais na França.
Séculos XVIII-XIX
A Ilustração na Europa Central e Oriental.
1700-1760
Israel Baal Shem, fundador do Hassidismo.
1720-1797
O gaon de Wilno.
1729-1786
Moisés Mendelssohn.
1747-1812
Shner Zalmen, fundador da seita Hassídica "Habad".
1754-1800
Salomão Maimon.
1778
Os judeus na administração municipal russa.
1785-1840
Nahman Krochmal.
1786
Formação da Zona de Residência na Rússia.
1787
Emancipação na América.
1788-1860
Isaac ber Levinsohn.
Época Contemporânea
1790
Emancipação dos sefaraditas na França.
1791
Emancipação geral na França.
1806-1807
Reformas de Napoleão.
1807-1809
Igualdade de direitos para os judeus do Ducado de Varsóvia.
1808-1888
Sansão Rafael Hirsh, fundador da neo-ortodoxia.
1810-1874
Abraão Gaiguer, chefe do movimento reformista judeu na Alemanha.
1812
Igualdade de direitos para os judeus da Prússia.
1812-1875
Moisés Hess.
1817-1891
Henrique Gräetz.
1819
Distúrbios anti-judaicos na Alemanha.
1822
Início da "Ciência do Judaísmo" na Alemanha.
1827
Estabelecimento do sistema de cantonistas na Rússia.
1830-1892
Judá Leon Gordon.
1835-1917
Mendele Mocher Sforim.
1840
O processo de Damasco.
1848
Emancipação na Alemanha, Áustria, Itália.
1852-1915
Isaac Leon Peretz.
1856-1927
Ahad Haam.
1859-1916
Sholem Aleichem.
1860
Alliance Israélite Universelle.
1860-1904
Teodoro Herzl.
1873-1934
H. N. Bialik.
1881
Progroms na Rússia.
1881-1914
Intensa emigração para os Estados Unidos.
1884
"Hovevei Sion".
1891
Começo da colonização judaica na Argentina.
1894-1906
Processo Dreyfus na França.
1897
1º Congresso Sionista, 1ª Convenção do "Bund".
1901
Quarta Convenção do "Bund" que aprova o princípio da autonomia cultural.
1903
Progrom de Kishinew.
1905-1906
Onda de progroms na Rússia.
1905
Fundação do Partido Sionista Socialista Obreiro ("S. S.").
1906
Fundação do Partido Sionista Socialista Obreiro Judeu ("Seimistas").
1907
Fundação do Partido "Poale-Sion".
1908
Conferência de Chernovitz que proclamou o caráter nacional do idioma idish.
1911-1913
Processo Beilis.
As Duas Guerras Mundiais
1917
Igualdade de direitos dos judeus na Rússia.
1917
Declaração Balfour.
1918-1920
Progroms na Ucrânia.
1919
Garantias internacionais para as minorias judaicas.
1925
Restrição da imigração nos Estados Unidos.
1925
Fundação da Universidade Hebraica em Jerusalém e do Instituto Científico Judeu em Wilno ("Iwo").
1934-1936
Emigração em massa de judeus para a Palestina.
1935
Os judeus alemães perdem a igualdade de direitos.
1935
Os judeus alemães perdem seus direitos civis. "Leis de Nuremberg".
1936
O terrorismo árabe na Palestina.
1938
Excessos anti-judaicos na Alemanha; legislação anti-judaica na Itália, na Hungria e na Rumânia.
1939
Segunda guerra mundial. Implantação do Gueto na Polônia pelos alemães.
1942
A Alemanha ameaça para fins deste ano o extermínio de todos os judeus da Europa. Protestos da Igreja e do proletariado americano.
1938-1945
O maior morticínio na História; seis milhões de judeus exterminados barbaramente na Europa.
1947
A "ONU" aprova o plano de partilha da Palestina e sanciona a criação do Estado Judeu, numa parte da Palestina Histórica.
O Advento do Estado de Israel
1947-1948
Os primeiros "rolos do Mar Morto" descobertos e adquiridos pela Universidade Hebraica de Jerusalém.
1948
Proclamação da Independência de Israel, baseada sobre os direitos naturais e históricos e a resolução da ONU. Dr. Chaim Weizman eleito primeiro presidente de Israel.
1948-1949
A Guerra da Libertação. Israel atacada, se defende contra as forças armadas dos sete países árabes.
1949
Estabelecimento do "Knesset" (Parlamento); acordos de armistício assinados por Egito, Líbano, Jordânia e Síria com Israel.
1949
Apesar dos acordos de armistício, os governos árabes recusam-se a assinar acordos de paz e declaram contínua posição beligerante frente a Israel e desejo de aniquilar o jovem Estado.
1950
Israel é recebida como membro da ONU.
1954-1956
Os terroristas Fedayen, enviados pelo Egito, infiltram-se profundamente no território israelense a fim de aterrorizar a sua população.
1956
A operação do Sinai. Forças de defesa de Israel penetram no deserto de Sinai e, em uma semana, destrõem as bases dos Fadayen e rompem o bloqueio egípcio do porto de Eliat, no Mar Vermelho.
1960
Conferência Internacional de Rehovot, dedicada ao tema "A Ciência a Serviço dos Novos Estados", da qual participaram delegados de diversos países, incluindo o Brasil. Começa a funcionar o primeiro reator de pesquisas nucleares para fins pacíficos.
1960-1961
Descobertas em Ein-Guedi as "cartas de Bar-Cochba".

A GÊNESIS DA PERSEGUIÇÃO AO POVO JUDEU

Por Marcelo M. Guimarães

O ponto de partida para compreensão de toda a história do povo judeu, incluindo os marranos e os denominados cristãos-novos deve ser a própria Bíblia. Com ela nós poderemos compreender em detalhes a origem e a missão do povo judeu e a conseqüente perseguição. Não é propósito aqui discorrer sobre gênese do universo e do ser humano, tentarei abordar este assunto de uma forma bem imparcial, sem levantar nenhuma questão doutrinária ou sectária. Mas, a bíblia relata claramente que Deus criou os céus, os mares, a terra e tudo o que nela existe.

No mesmo capítulo primeiro do livro de Gênesis, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, ordenando que ele, o homem, fosse seu único semelhante dotado de inteligência e capacidade de criar e dominar sobre toda a terra. Em seguida, D-us os abençoou (homem e mulher), concedendo poder a eles que fossem bem sucedidos e prósperos, dando-lhes a ordem: - “frutificai e multiplicai; enchei a terra e sujeitai-a”. (Gn. 1: 26-28)
Se somos capazes de entender um pouco da filosofia e da crença judaica, entenderemos melhor este povo, seus costumes e tradições. Depois no capítulo doze do mesmo livro de Gênesis encontramos D-us escolhendo o patriarca Abraão para que dele fosse gerado uma grande nação, um povo com um propósito específico. Mas, ao mesmo tempo através deste homem chamado Abraão, não só o povo judeu é originado, mas por meio da fé deste homem seriam abençoadas todas famílias da terra (Gn. 12: 2-3).

Abraão teve dois filhos, o primeiro foi Ismael gerado com a escrava egípcia de Sarah, Agar, uma vez que esta era neste momento estéril. Depois D-us celebra uma aliança com Abraão, ordenando sua circuncisão como sinal deste pacto e se cumprindo a profecia que foi dada a Sarah, sua mulher, a chegada um herdeiro legítimo, fruto da senilidade de ambos: Isaac. Assim Isaac gera Jacó e deste saíram as doze tribos de Israel.

Resumindo, Abraão, Isaac e Jacó passaram a ser os patriarcas do povo judeu e toda origem do povo judeu, bem como, de Ismael saiu a descendência do povo árabe que se separou naquela época de Abraão e seu filho, indo viver nas planícies de Sanear, no lado mais sudoeste da terra de Israel.

Devido a fome José, filho de Jacó que havia sido vendido como escravo a Potifar do Egito, ocupando posição de destaque junto ao Faraó, traz seus pais, seus onze irmãos e sua parentela para o Egito. No futuro eles dariam origem as doze tribos de Israel. Com a queda de José da corte do faraó egípcio, o povo hebreu viveu por mais de quatrocentos anos como escravo naquela terra.

Assim, a vida do povo hebreu na condição de escravo foi mais uma conseqüência circunstancial do que uma perseguição. Após a libertação e saída do Egito, sob a liderança de Moisés, este povo ruma pelo deserto em direção à terra prometida por D-us a eles: a terra de Canaã, a terra que corre leite e mel. Eles tiveram muitos inimigos como os amalequitas, os cananeus, heveus, amorreus, heteus, jebuzeus, perizeus e outros, os quais sentiram-se ameaçados com aquele grande povo peregrinando entre eles em suas terras.

Mas um fato que iria gerar um certo ciúme em outros povos e uma mudança radical no estilo de vida do povo judeu, foi o recebimento das tábuas da lei aos pés do monte Sinai. Ali, Deus se manifestou a este povo de maneira peculiar, acrescentando-lhes através de Moisés, posteriormente, todos os outros mandamentos, estatutos e ordenanças. Este fato é de suma importância e seria conhecido por toda a humanidade, quando D-us faz deste povo um povo peculiar, o qual passou a crer num só Único D-us, o criador dos céus e da terra e tudo o que nela há.

Imaginem, até então, todos os povos do mundo eram pagãos, idólatras, vivendo e cultuando seus inúmeros deuses. Havia quase um deus para cada necessidade humana, como o deus da felicidade, o deus da colheita, a deusa do trovão, da tempestade, a deusa dos prazeres carnais, etc. Os povos eram polígamos e viviam cada um conforme as próprias leis.

Tentem imaginar que conflito e discordância que isto causou ao povo judeu ao qual foi revelado como primeiro mandamento: “Eu sou o Senhor teu D-us e não terás outros deuses diante de mim... não terás imagens esculpidas; não as farás e nem as adorarás; não tomarás meu nome em vão; santificarás o dia de Sábado; honra teu pai e sua mãe; não matarás; não adulterarás; não furtarás; não direis falso testemunho contra o teu próximo; não cobiçará a casa do teu próximo e nem tua mulher (Ex. 20: 3-17).

Moisés, inspirado pelo próprio D-us se revela ao povo dizendo: “Shemá Israel, Adonai Eloheinu Adonai Echad”, que quer dizer: “Ouça, Oh Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Como se sentiriam seus vizinhos e outros povos quando tomavam conhecimento que existe um povo por aí que foi tirado miraculosamente da escravidão do Egito, e que agora tem por herança uma terra prometida por um D-us que é superior a todos os deuses do mundo e além de tudo, é o único? Isto passou a significar, todos os outros são falsos! Estava, então criado o conflito com os outros povos.

Este povo recebe direto deste Deus mandamentos, estatutos e ordenanças que os levarão ao sucesso, a prosperidade, à uma terra prometida que correria leite e mel.

Pode-se entender que tamanho foi o agravo com os outros povos? Receber uma terra em pleno deserto onde corre “leite e mel”?

Este D-us mostrava a este povo o caminho pelo deserto através de uma nuvem, que não só os guiava, mas os protegia do calor do dia e à noite os aquecia com uma coluna de fogo? (Nm 9:15 – 21). Que privilégio é este que os outros povos não têm? Além do mais, este povo passa a dizer que não se pode roubar, desejar a mulher do próximo, não matarás, etc. Isto seria uma loucura para o mundo e o ódio já estaria fustigado contra este povo, mesmo antes que o mesmo tivessem direito a uma terra.

Imagine o leitor a antipatia e o ciúme dos povos vizinhos que passaram a ser conhecidos como pagãos, idólatras e polígamos?

A grande verdade que é difícil de ser aceita pelos outros povos é que a lei chamada Lei de D-us, através de, centenas de mandamentos, inúmeros estatutos e ordenanças , abrangendo princípios e condições, preservando o senso de justiça, melhor qualidade de vida através de uma alimentação diferenciada, quer no modo de vestir, trabalhar, no modo de cultuar e adorar um único D-us, gerou no povo judeu uma filosofia peculiar os levando a destacar em superioridade e prosperidade sobre outros povos . Além do mais, eles não se misturavam e não se deixavam ser assimilados filosoficamente e culturalmente por nenhum outro povo.

O exílio de 70 anos da Babilônia é um bom exemplo desta não assimilação por outros povos. Nabucodonozor tentou de todas as formas dominar, escravizar e desfazer esta nação. Mas, através de Esdras e Neemias, este povo volta à terra de Israel, reconstrói os muros, o Templo, a cidade e lá se estabelecem novamente. Como se não bastasse, aparecem dezenas de profetas nesta época falando em nome deste D-us Todo- Poderoso que da linhagem deste povo viria o Messias de Israel, o Redentor e Salvador para toda humanidade que nele cresse.

Se analisarmos profundamente estes pontos até aqui enumerados, o mundo já teria motivos suficientes para antipatizar e perseguir este povo.

Poder-se-ia citar vários exemplos deste terrível ódio e perseguição aos judeus. Tivemos o exílio na Babilônia e depois durante o domínio grego-sírio-persa. Basta ler sobre a história da rainha Ester que encontramos o terrível Hamã querendo exterminar o povo judeu. A luta dos judeus macabeus por volta dos 130 anos aC. contra o domínio helenista e a profanação do Templo.

Hoje sabemos que apenas os cristãos crêem que Jesus, o Cristo veio como Messias. Mas, imaginem se toda a humanidade cresse que este Jesus, nascido de uma virgem em Belém, criado em Nazaré, filho de Davi, da tribo de Judá, que morreria numa primeira vinda numa cruz como oferta pelo pecado da humanidade, ressuscitaria dos mortos, e no final dos tempos restauraria voltaria à nação de Israel como Rei dos reis, trazendo para ela seus filhos dispersos pelo mundo, salvando-os, implantando a paz tendo como centro de seu reino a cidade Jerusalém, Israel, para estabelecer nesta terra o Reino milenar de glória e poder sobre todas as nações esta perseguição já estaria sendo ainda muito pior. Por que?

Anti-semitismo: o que é?

O anti-semitismo é o nome que se dá à hostilidade contra os povos semitas, especialmente aos judeus e sua cultura.

A palavra semita pode ter três significados:

de, relativo a, ou constituindo uma subfamília da família das línguas afro-asiáticas que incluem o hebreu, aramaico, árabe e amárico (idioma oficial da Etiópia).
de, relativo a, ou característico dos semitas.
judaico.
Todavia, o termo anti-semitismo surgiu para se referir apenas à hostilidade relativa aos judeus.


Etimologia e uso
Ao escritor político anti-semita Wilhelm Marr é atribuida a criação da palavra alemã "Antisemitismus" em 1873, numa altura em que a ciência racial estava na moda na Alemanha mas o ódio religioso ainda não lá constava. Este termo serviu de alternativa à palavra alemã mais antiga "Judenhass", significando ódio aos judeus.

Tanto quanto pode ser confirmado, a palavra foi impressa pela primeira vez em 1880. Nesse ano, Marr publicou "Zwanglose Antisemitische Hefte" (cadernos informais anti-Semitas) e Wilhelm Scherer usou o termo "Antisemiten" (anti-Semitas) no jornal "Neue Freie Presse" de Janeiro. A palavra relacionada "semitismo" foi cunhada por volta de 1885.


Raízes do anti-semitismo
Muitos fatores motivaram e fomentaram o anti-semitismo, incluindo fatores sociais, econômicos, nacionais, políticos, raciais e religiosos, ou combinações destes fatores.

Na Idade Média, as principais raizes do ódio irracional contra judeus foram:

Religiosas, baseadas na pretensa "doutrina" da Igreja Católica de que os Judeus são coletivamente e permanentemente responsáveis pela morte de Jesus Cristo (ver Deicídio, essa visão surgiu na Idade Média e não é mais aceitável pela Igreja Católica).
Sócio-económicas, devido à ação de autoridades locais, governantes, e alguns funcionários da igreja que fecharam muitas ocupações aos judeus, permitindo-lhes no entanto as atividades de coletores de impostos e emprestadores, o que sustenta as acusações de que os Judeu praticam a usura (uma prática repugnada inicialmente pela Igreja Católica e hoje aceita).
Além disso, outro fator que teve bastante influência para o ódio irracional aos judeus foi o nazismo na Alemanha.

O que são povos semitas?

são povos que segundo a bíblica têm origem em Sem, um dos filhos de Noé. Os judeus são semitas, daí o termo antisemita, quando se fala dos nazistas.

Nas tradições islâmica e judia, os Árabes são um povo semita que tem sua ascendência de Ismael, um dos filhos do antigo patriarca Abraão. Genealogistas árabes medievais dividiram os Árabes em dois grupos:
os "Árabes originais" do sul da Arábia, descendentes de Qahtan (identificados com o Joktan bíblico). Supõe-se que os Qahtanitas migraram do Iêmen após a destruição da barragem de Ma'rib (Sad Ma'rib). Os Árabes qahtanitas foram os responsáveis pelas antigas civilizações do Iêmen, incluindo o renomado Sheba bíblico (um descendente de Qahtan).
Os "Árabes arabizados" (musta`ribah) do norte da Arábia, descendentes de Adnan, este supostamente descendente de Ismael via Kedar. A língua árabe, como ela é falada hoje na sua forma qurânica clássica, foi o resultado de uma mistura entre a língua árabe original de Qahtan e o árabe setentrional, que assimilara palavras de outras línguas semíticas do Levante.

Os semitas pertencem a um círculo cultural completamente diferente, com uma língua completamente diferente também. Eles são originários da península da arábia e também se expandiram para extensas e diferentes partes do mundo. As três religiões ocidentais ? judaísmo, o cristianismo e o islamismo ? têm base semita. De modo geral, o que se pode dizer dos semitas é que eram monoteístas, possuíam uma visão linear da história, a audição desempenhava papel preponderante e proibiam a representação pictórica. Quanto à história, é interessante saber que, para eles, ela começou com a criação do mundo por Deus e Este tinha o poder de intervir em seu curso. Em relação às imagens, ainda são proibidas no judaísmo e no islamismo, mas no cristianismo são permitidas devido à influência do mundo greco-romano, isso unicamente no Catolicismo, os evangelicos oriundos da reforma protestante não aceitam o uso de imagens em seus cultos, seguindo a tradição inicial , que conforme a Biblia é pecado o uso de imagens de escultura.
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