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Salmo 127

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Salmos

"ORAI PELA PAZ DE JERUSALÉM! SEJAM PRÓSPEROS OS QUE TE AMAM. REINE PAZ DENTRO DE TEUS MUROS E PROSPERIDADE NOS TEUS PALÁCIOS. POR AMOR DOS MEUS IRMÃOS E AMIGOS, EU PEÇO: HAJA PAZ EM TI! POR AMOR DA CASA DO SENHOR, NOSSO DEUS, BUSCAREI O TEU BEM" SALMOS 122.6-9
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Gênesis – Surgimento de Israel


  Como estamos tratando da história do povo hebreu, desde seus primórdios, conforme o que é relatado na bíblia, a partir de agora, nossa atenção volta-se para os descendentes de Abraão, aqueles que continuaram a saga iniciada em Gn 12.1, com o chamado de Abraão.
          O patriarca, antes de morrer, sente a necessidade de escolher uma companheira para seu filho. Dentre aquelas da sua parentela. Era costume escolher uma esposa da mesma tribo ou mais ou menos aparentada. Entre os hebreus esta prática era admitida como meio de preservação da contaminação religiosa.
            Abraão manda a seu servo mais antigo, que vá a sua parentela, rumo a mesopotâmia, para a cidade de Naor. Em lá chegando, o servo encontra uma jovem, Raquel, filha de Betuel, filho de Milca, mãe de Naor (Gn 25.20) e imediatamente celebra o acordo nupcial em favor de seu senhor, unindo Isaque e Raquel.
          Desta união nasceram os gêmeos, Esaú e Jacó, que já, desde o ventre materno, brigavam entre si. Ambos crescem, sendo Esaú perito em caça e Jacó, homem pacato, habitava m tendas.
            Pela linha sucessória, Esaú seria o herdeiro direto de Isaque, mas os fatos ocorridos após Gn 25.27, mudam todo o processo. Numa tática que lhe garantiria o nome de enganador, Jacó compra o direito de primogenitura[1] do irmão pelo preço de um prato de lentilhas.
([1] O primogênito ou filho mais velho, tinha o privilégio da primazia após a morte do pai e uma porção dobrada da herança familiar)

história de Israel continuação


2. As Origens de Israel


2.1. A Teoria da Conquista


Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos.
Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal".
Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta:
a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir.
Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué:
Hazor: Js 11,10-11
Lakish: Js 10,31-33
Eglon: Js 10,34-35
Debir: Js 10,38-39
b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué:
Gibeon: Js 9
Taanach: Jz 1,27
Siquém: Js 24
Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9
Bet-Shean: Jz 1,27-28
Gezer: Js 10,33
c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc).
d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas nova­mente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...
Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel?
Porém:
·       os dados arqueológicos não são puros, são interpretados
·       várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias
·       o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido
·       o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como:
·       o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio
·       o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim
·       a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos!
·       as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9)
·       o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O mesmo acontece com o livro dos Juízes. Qual o valor histórico destes relatos?

2.2. A Teoria da Instalação Pacífica


Modelo defendido por Albrecht Alt (1925;1939), Martin Noth (1940;1950), Manfred Weippert, Siegfried Hermann, José Alberto Soggin, Yohanan Aharoni e outros[2]. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias, sem um conflito generalizado e organizado. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3].
Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos, que assim acabam confirmando-na. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam, mais ou menos pacificamente, nas proximidades das cidades cananéias[4].
Defende uma entrada diferenciada na Palestina, para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos, pelo menos, para o sul e para o norte. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte. Depois sua união, antes da monarquia, em doze tribos. Noth liga os hebreus aos hapiru.
Problemas:
·       anfictionia israelita?
·       hapiru/hebreu?
·       conceito de etiologia e narrativas etiológicas
·       e as destruições do final do século XIII a.C.?

2.3. A Teoria da Revolta


A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall, com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine, publicado em Biblical Archaeologist 25, pp. 66-87, 1962. O artigo já começa com uma constatação, que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6].
De fato, a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito, o conduz pelo deserto e lhe dá a terra, informando-nos, deste modo, sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois, mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas, sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel.
Frente a isso, os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel, como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia, importada do mundo grego. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam, sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados.
G. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã, o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos:
·         as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista"
·         as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam
·         a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico, sendo a relação de parentesco seu traço fundamental, caracterizando-as, inclusive, em contraste com os cananeus.
Ora, continua Mendenhall, o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos, mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades, entretanto, está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas, e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7].
A seguir, Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos, erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades, que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades, como, por exemplo, Jacó e Labão, Jacó e os filhos, onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades, mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades.
Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru, e utilizando as cartas de Tell el-Amarna, Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. O que aconteceu pode ser sumariado, do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos, como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias".
Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina, diz Mendenhall, "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes, tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal, e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social, muito acima de fatores sociais e políticos... Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica, pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional.
A ênfase na mesma herança tribal, através dos patriarcas, e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais", pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso.
Niels Peter Lemche, por outro lado, critica Mendenhall, por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas, mas especialmente por seu uso eclético destas teorias, coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. Segundo Lemche, Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization. 2. ed. New York: Random, 1962. Sem dúvida, seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo", um javismo não muito bem explicado, mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo, como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel.
Alguns anos mais tarde, Norman K. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel, 1250-1050 B.C.E. Maryknoll, New York: Orbis Books, 1979 [em português: As Tribos de Iahweh: Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004], no qual retoma a tese de G. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. Mas, em um artigo anterior, de 1975, didaticamente, Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento, e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10].
Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas:
·         o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações, ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro, seja por imigração seja por conquista militar
·         o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias, ou seja, Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização, resultando numa aculturação sócio-política
·         o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque, ou seja, a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo, o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11].
As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos, mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo; indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora; a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos; a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir; evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos, desde a língua até a formação religiosa...
Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos, cada vez maior entre os estudiosos, podem ser sintetizados da seguinte maneira:
·         o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos, como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil
·         o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social, sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos
·         o pressuposto  de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos, especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas, nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12].
A partir de tais constatações, Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes, que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. A religião de Israel, que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu, era idiossincrática e mutável, ou seja, um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13].
Assim, Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado, onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente, uma guerra civil, se quisermos, que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14].


[1]. Cf. ALBRIGHT, W. F. The Archaeology of Palestine. 3. ed. Baltimore: Penguin, 1960; WRIGHT, G. E. Biblical Archaeology. 2. ed. Philadelphia: Westminster Press, 1962; KAUFMANN, Y. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. New York: Schocken Books, 1972; BRIGHT, J., História de Israel. 7. ed. São Paulo: Paulus, 2003.
[2]. Cf. ALT, A. Terra Prometida. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. São Leopoldo: Sinodal, 1987; NOTH, M. The History of Israel. New York: Harper & Brothers, 1960; WEIPPERT, M. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine. London: SCM Press, 1971; HERMANN, S. A History of Israel in Old Testament Times. Philadelphia: Fortress Press, 1975; SOGGIN, J. A. Joshua. Philadelphia: Westminster Press, 1972.
[3]. Cf. ALT, A. Terra Prometida. Ensaios sobre a história do povo de Israel, p. 19-110.
[4]. Cf. ALT, A. Terra Prometida, p. 56 e 72-73.
[5]. Cf. o artigo em CARTER, C. E. ; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1996, p. 152-169.
[6]. MENDENHALL, G. E. The Hebrew Conquest of Palestine. In: CARTER, C. E. ; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology, p. 152.
[7]. Idem, ibidem, p. 154.
[8]. Idem, ibidem, p. 158-159.
[9]. Cf. LEMCHE, N. P. "On the Use of "System Theory", "Macro Theories", and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. In: CARTER, C. E. ; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology, p. 279.
[10]. Cf. GOTTWALD, N. K. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. In: CARTER, C. E. ; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology, p. 170-181; GOTTWALD, N. K. As Tribos de Iahweh: Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004. Cf. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006).
[11]. Cf. Idem, ibidem, p. 172.
[12]. Cf. Idem, ibidem, p. 173-174.
[13]. Idem, ibidem, p. 174-175.
[14]. Cf. Idem, ibidem, p. 180-181.

história de Israel




O contexto histórico

que apoiaria a teoria é o seguinte:
Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a.C. e o dominam durante um século. Sua capital é Avaris. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a.C.), faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. A capital volta a Tebas. Tutmósis III, também da décima oitava dinastia, levou o Egito ao auge de seu poder, estendendo seu domínio até o Eufrates.
À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a.C.) - também conhecido como Akhenaton, o faraóó do culto a Aton -, que construiu nova capital, Akhetaton, arqueologicamente conhecida como El-Amarna; Tutankhamon, que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas.
A XIX dinastia teve alguns nomes famosos:
·       Ramsés II, o faraó do êxodo
·       Merneptah, seu filho, que cita Israel em estela de 1220 a.C.

Vale citar aqui um longo trecho de J. G. Echegaray,
 O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a.C. aconteceu a célebre batalha de Cades, espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. A primeira, chamada divisão de Amon, na qual ia o faraó, induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe, acampou ao norte da cidade de Cades. Atrás, a uma grande distância, aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá, Ptah e Suteh. Então o exército hitita, ocultando-se, rodeou a cidade pelo sul e, saindo de um bosque, atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). A divisão foi desarticulada e posta em fuga. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés, que foi objeto de ataque imediato. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente, não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa, que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga, que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. A última divisão egípcia, Suteh, que ainda não atravessara o Orontes, não chegou a intervir na contenda. À vista dos acontecimentos, Ramsés II desistiu de tomar a cidade, abandoando sua missão de pacificar o país, deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza, retirou-se ordenadamente para a Palestina. Não tinha sido uma verdadeira vitória, mas também não podia ser contado como uma derrota; o faraó, porém, a fez passar por um ressonante triunfo, que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. O exército egípcio era composto por cerca de 25.000 homens, mas só tinha 1.500 carros de combate. Pelo contrário, o exército hitita possuía 3.500 carros de combate”[15].Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas, deixando um vazio político na Palestina. Sob a XX dinastia, a última do reino novo, o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia.
Os hicsos invadem o Egito e a Palestina, ocupando na região de Canaã, como bases centrais, Jericó e Siquém.
Bem, os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate, modificando todas as táticas de guerra então em uso. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores.
Para rechaçar os hicsos, os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina, uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos, comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores, príncipes das cidades-estado cananéias.
As populações de baixa condição, vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais, estava assim submetida ao príncipe cananeu, que estava submetido ao faraó egípcio. A espoliação se dava em dois níveis.
Quando o controle egípcio era menor, as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo, procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada!
Assim é descrita a situação nas cartas de TellCarta de Tell el-Amarna el-Amarna, escritas pelos governantes das cidades cananéias [e de outros países] à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV, no século XIV a.C. (são 382 cartas, sendo as da Palestina escritas em acádico vulgar, com muitos cananeísmos, descobertas a partir de 1887).
Nos conflitos entre as cidades cananéias, seus governantes se acusam, nas cartas, da ajuda, feita pelo inimigo, aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle.
Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades, confronto entre os marginalizados e as cidades, vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor.
Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos, formando com eles uma mesma identidade social. Constituem um "governo" tribal, uma aliança tribal, e ocupam as regiões montanhosas, onde os cananeus, senhores das cidades, tinham perdido o controle.
Realmente, o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald, sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche, que em Early Israel. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy, analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17].
Segundo Lemche, Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried, The Evolution of Political Society, New York, Random, 1967, mas faz um uso eclético de outras teorias e autores, de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria. Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que, segundo ele, os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável.
Entretanto, um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx, faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. Nas palavras de A. D. H. Mayes: “Existem, porém, boas razões, para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. As características distintivas da teoria de conflito, que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status, estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita, que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim, e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica, antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18].

2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual


Quanto a esta teoria, vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. Como nos lembra R. K. Gnuse, as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. As escavações de localidades tais como Ai, Khirbert Raddana, Shiloh, Tel Quiri, Bet Gala, Izbet Sarta, Tel Qasileh, Tel Isdar, Dan, Arad, Tel Masos, Beer-Sheba, Har Adir, Horvart Harashim, Tel Beit Mirsim, Sasa, Giloh, Horvat ‘Avot, Tel en-Nasbeh, Beth-Zur e Tel el-Fûl, deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica, nas técnicas agrícolas, nas construções e nas ferramentas[19].
O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito, pois estes parecem constituir um só povo. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. Por isso, os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual, a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. “A teoria sugere que, de alguma maneira, cananeus gradualmente tornaram-se israelitas, acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20].
Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo, com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias, com a crescente tributação, e, talvez, com mudanças climáticas. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas, de modo que R. K. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias, que são:
·         Retirada pacífica
·         Nomadismo interno
·         Transição ou transformação pacífica
·         Amálgama pacífico.

2.4.1. Retirada Pacífica

Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas, R. K. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway, David Hopkins, Frank Frick, James Flanagan, Gösta Ahlström e Carol Meyers[21].
Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana, no território de Efraim, que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus  na agricultura, na fabricação de ferramentas, na perfuração de cisternas, na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. Entre 1200 e 900 a.C. o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114, o que sugere uma significativa retirada.
David Hopkins, por sua vez, em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a.C.), observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. Para Hopkins, estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias, o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais, evitando, deste modo, os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis, especialmente em recursos hídricos. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços, cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. Para Hopkins, diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas.
Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e, finalmente, para o 'Estado' (Davi). 
James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia, onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio.
Gösta Ahlström, entretanto, foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus, evidente na cultura material, e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. O próprio nome do povo, 'Israel', reflete esta lógica, já que construído com o nome de El, divindade cananéia. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas, já que sua estrutura social de base familiar não corresponde, segundo ele, ao tipo nômade. Nenhuma  'revolta' de camponeses pode ser documentada. Os recursos tecnológicos menores, igualmente, não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra, mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses, trazendo com eles o culto a Iahweh.
Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales, e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. Nas montanhas, o crescimento populacional - de 23 para 114 povoados - exigiu mais alimento, levando à intensificação da agricultura, agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu, no final, Israel.

[15]. ECHEGARAY, J. G. O Crescente Fértil e a Bíblia, p. 90-91.
[16]. Cf. BRIEND, J. (org.) Israel e Judá: textos do Antigo Oriente Médio. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997, p. 28-31, cartas G, H, I, K, L.
[17]. Cf. LEMCHE, N. P. Early Israel: Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. Leiden: Brill, 1985; cf. também MARTIN, J. D. Israel como sociedade tribal. In: CLEMENTS, R. E. (org.) O Mundo do Antigo Israel: Perspectivas Sociológicas, Antropológicas e Políticas. São Paulo: Paulus, 1995, p. 97-118; SICRE, J. L. Los Orígenes de Israel. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico, Estudios Biblicos, n. 46, Madrid, p. 421-456, 1988; FRITZ, V. Die Entstehung Israels im 12. und 11. Jahrhundert v. Chr. Stuttgart: Kohlhammer, 1996, p. 104-121, onde os vários modelos são descritos e analisados.
[18]. MAYES, A. D. H. Sociologia e Antigo Testamento.In: CLEMENTS, R. E. (org.) O Mundo do Antigo Israel, p. 55.
[19]. Cf. GNUSE, R. K. No Other Gods: Emergent Monotheism in Israel. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, p. 32-61.
[20]. Idem, ibidem, p. 33.
[21]. Cf. CALLAWAY, J. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. In: THOMPSON, H. (ed.) The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. Lanham: University Press of America, 1984; HOPKINS, D. C. The Highlands of Canaan: Agricultural Life in the Early Iron Age. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, [1985] 2010; FRICK, F. The Formation of the State in Ancient Israel. A Survey of Models and Theories. Decatur, Georgia: Almond Press, 1985; FLANAGAN, J. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. Decatur, Georgia: Almond Press, 1988; AHLSTRÖM, G. A History of Ancient Palestine. Minneapolis: Fortress Press, 1993; MEYERS, C. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. New York: Oxford University Press, 1988.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Israel faz campanha contra adesão palestina à ONU

O Ministério das Relações Exteriores de Israel deu instruções a seus diplomatas sobre as medidas a tomar para evitar que os países em que atuam apoiem a pretensão palestina de ser admitida como membro pleno da ONU em setembro, informou nesta sexta-feira o jornal "Ha'aretz".

Em mensagens diplomáticas divulgadas pelo jornal, o diretor-geral, Rafael Barak, e outros altos cargos do ministério pedem aos diplomatas que façam pressão "ao máximo nível possível" para convencer as autoridades de que apoiar a pretensão palestina equivaleria a deslegitimar Israel e frustrar qualquer futuro acordo de paz.






Entre as instruções recebidas pelos diplomatas estão obter apoio das comunidades judaicas e ONGs locais, escrever artigos na imprensa para influir na opinião pública, reunir-se com políticos do mais alto nível e organizar visitas oficiais quando necessário.

A Chancelaria ainda determinou aos embaixadores e ao pessoal diplomático que cancelem todos os planos de férias para setembro e pediu que apresentassem um plano de ação para os países em que trabalham.

"O objetivo é conseguir com que o maior número de países se oponha ao processo de reconhecimento de um Estado palestino pela ONU", disse Barak aos diplomatas em comunicado enviado no último dia 2 de junho.

"O primeiro argumento é que, ao perseguir este processo na ONU, os palestinos estão tentando atingir seus objetivos fora das negociações com Israel, o que viola o princípio de que o único caminho para resolver o conflito é através de negociações bilaterais", acrescenta a nota.

O ministério prepara um "Fórum de Setembro", que terá como função "analisar os possíveis passos dados pelos palestinos e as opções de Israel para fazer o processo fracassar", iniciando um plano que una a diplomacia e os meios de informação.

Os diplomatas terão que informar uma vez por semana a este fórum sobre as atividades realizadas neste sentido.

Em outro comunicado enviado nesta semana às embaixadas da Europa Ocidental por um diretor da pasta, Naor Gilon, é especificado que a meta é "dar um impulso contra o reconhecimento de um Estado palestino em setembro fazendo com que um bloco significativo de países da União Europeia exponha sua oposição às ações unilaterais palestinas o mais rápido possível".

Israel sabe que os palestinos irão contar com a maioria necessária na Assembleia Geral da ONU, embora a decisão não possa ser cumprida se for rejeitada pelo Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos e outros países têm poder de veto.

A maioria na Assembleia Geral da ONU, no entanto, representaria uma vitória moral e diplomática para os palestinos, que não veem outro caminho além da declaração unilateral de independência após o fracasso do processo de paz iniciado em setembro passado e que ficou estagnado três semanas depois por conta da recusa israelense em frear a expansão das colônias judaicas nos territórios palestinos ocupados.

ENTENDA O CASO

A Liga Árabe pretende solicitar o reconhecimento do Estado da Palestino com as fronteiras de 1967 -- que engloba a Faixa de Gaza e Cisjordânia, tendo Jesusalém Oriental como sua capital -- como membro pleno da ONU na reunião da Assembléia Geral do organismo em setembro, em Nova York.

Atualmente, os palestinos têm o status de observadores da ONU, sem direito a voto.

Fonte: Folha

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Confrontos entre manifestantes e soldados isralenses na fronteira com a Síria deixam 22 mortos




Os confrontos entre manifestantes pró-Palestina, que tentavam cruzar a fronteira entre a Síria e as Colinas de Golã, território ocupado por Israel, e tropas israelenses deixaram 22 mortos e 350 feridos segundo a TV estatal da Síria.

O canal estatal informou que os confrontos já duram mais de dez horas e os manifestantes tentaram várias vezes romper a fronteira israelense.

Durante a noite os manifestantes acenderam fogueiras perto da fronteira e afirmaram que pretendem permanecer por tempo indeterminado.

A manifestação marca os 44 anos da Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel ocupou as colinas do Golã da Síria, os territórios palestinos - Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - e a península do Sinai do Egito.

De acordo com o repórter da rádio estatal de Israel, que se encontra perto da fronteira, a maior parte do grupo de manifestantes que tenta atravessar é formada por crianças e adolescentes. Muitos levavam bandeiras palestinas e atiraram pedras e lixo sobre a cerca.

Meios de comunicação israelenses dizem que alguns dos ativistas conseguiram entrar no território, apesar do rígido policiamento da fronteira.

A repórter militar da rádio estatal de Israel, Carmela Menashe, disse que fontes do Exército israelense garantem que as tropas foram orientadas a "agir com contenção para restringir o numero de feridos".

Também neste domingo, o exército israelense atirou bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes palestinos no ponto de checagem de Kalandia, principal fronteira entre Israel e a Cisjordânia.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que ficou "perturbado" pela "perda de vidas".

"Pedimos que todos os lados tenham moderação. Ações provocativas como estas devem ser evitadas", afirmou o departamento em uma declaração.

Exército 'capacitado'

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse à BBC que os números divulgados pela Síria não são confiáveis.

Horas antes da manifestação deste domingo, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu disse que não permitiria que "extremistas" atravessassem as fronteiras de Israel.

"Eu instruí nossas forças de segurança a agirem com determinação e contenção para proteger a soberania de nossas fronteiras, cidades e cidadãos", disse Netanyahu, durante a reunião semanal com o membros do governo, em Jerusalém.

O Exército israelense disse que seus soldados gritaram alertas em árabe para os manifestantes e que atiraram para o ar antes de mirar nas pernas dos que chegaram à cerca que separa a Síria das Colinas de Golã.

A porta-voz do exército, Avital Leibovich, disse à imprensa que "isso é uma tentativa do regime sírio de tirar a atenção do mundo do banho de sangue que vem acontecendo no país nas últimas semanas".

Ela disse ainda que, depois de protestos similares na fronteira, que aconteceram no mês de maio, as forças israelenses se prepararam para "uma variedade de cenários possíveis na operação" e estão mais capacitados para impedir as manifestações.

No dia 15 de maio, milhares de manifestantes pró-Palestina se dirigiram para as fronteiras de Israel com territórios palestinos, com a Síria, com a Jordânia e com o Líbano.

Eles estavam relembrando outra data importante para os palestinos, o 63º aniversário da Nakba – que significa catástrofe em árabe – quando milhares de palestinos perderam suas casas em meio aos conflitos pela criação do estado de Israel em 1948.

Pelo menos doze pessoas foram mortas pelos soldados israelenses nas manifestações de maio, em que algumas pessoas conseguiram cruzar a fronteira com as Colinas de Golã.

Dia da Naksa

A manifestação deste domingo faz parte dos atos para marcar o dia da Naksa - que em árabe significa derrota - em referência à guerra conhecida como Guerra dos Seis Dias, que começou no dia 5 de junho de 1967.

Em um comunicado à imprensa, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, exortou a comunidade internacional a "tomar as medidas necessárias para pôr um fim à ocupação israelense".

Erekat também pediu o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras de 1967 e o apoio à admissão da Palestina como Estado-membro da ONU.

O dia da Naksa - que também significa humilhação - é lembrado neste domingo com manifestações de palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e de refugiados palestinos que se encontram em campos no Líbano e na Síria.

FONTE: BBC BRASIL
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