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Salmo 127

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Salmos

"ORAI PELA PAZ DE JERUSALÉM! SEJAM PRÓSPEROS OS QUE TE AMAM. REINE PAZ DENTRO DE TEUS MUROS E PROSPERIDADE NOS TEUS PALÁCIOS. POR AMOR DOS MEUS IRMÃOS E AMIGOS, EU PEÇO: HAJA PAZ EM TI! POR AMOR DA CASA DO SENHOR, NOSSO DEUS, BUSCAREI O TEU BEM" SALMOS 122.6-9
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A FUNDAÇÃO DE ISRAEL

Depois dos anos de peregrinação no deserto, Moisés conduziu seu povo para o norte, além de Edom, deu uma volta por leste, para evitar o combate com os moabitas, e finalmente vibrou um golpe ao rei Seom, dos amorreus. A conquista armada de uma pátria começou ali, bem a leste do Jordão. Aproveitando rapidamente o seu primeiro sucesso, os israelitas avançaram para o norte, e logo se tornaram senhores de Gileade e Basã, toda a área a leste do Vale do Jordão e do Mar da Galiléia. Era uma terra bem irrigada, fértil, e satisfatória, com bosques e bons pastos.

A rápida conquista, naturalmente, incutiu terror no povo de Moabe e de Mídia, terras ao sul. Balaque, o rei moabita, temendo que, depois de seus extraordinários sucessos no norte, os israelitas se voltassem finalmente contra ele, decidiu usar de magia e embuste. Aliando-se ao midianitas, contratou o grande adivinho Balaão para amaldiçoar os Filhos de Israel. Mas o Rei Balaque falhou: o Senhor interveio e transformou as pragas de Balaão em bênçãos (Números 22,24).

Igualmente também falharam as mulheres de Moabe e Midiã em suas tentativas para incentivar a idolatria entre o povo de Israel. O único resultado foi que os midianitas foram chacinados em grande número, ao passo que os moabitas, a quem Deus recusou a Moisés o direito de atacar – eles eram descendentes de Ló, sobrinho de Abraão - foram excluídos da congregação de Israel até a décima geração.

O país a leste do Jordão estava finalmente seguro e aberto para a colonização. Concluíram-se entendimentos entre Moisés e as tribos de Rúben e Gade e a meia tribo de Manasses para a divisão e colonização dessa terra. O futuro do resto das Doze Tribos estava nas terras a oeste do Jordão.

E quanto a Moisés, nessa altura velho em anos e experiência, mas ainda jovem em espírito e habilidade? Tendo-lhe Deus negado, como negara a Arão, o direito de entrar na Terra Prometida, sua missão estava virtualmente concluída. Um dever restava ainda. Era essencial fazer uma narrativa de sua grande administração e rever as leis ordenadas por Deus para a orientação de Seu povo. Assim, reunindo os chefes e o povo na base do Monte Nebo (Pisga), falou-lhe em três grandes orações que constituem a maior parte do livro do Deuteronômio, nome grego que significa a “segunda lei”.

Havendo completado suas instruções ao povo, o grande ancião ajuntou o seu canto de adeus e a sua bênção. Depois, voltando-se para a encosta da montanha, subiu até o cume, que fica a uns quinze quilômetros do Jordão. Do topo descortina-se um panorama maravilhoso de terra de Israel, e seus olhos deliciaram-se no cenário enquanto comungava com o Senhor, a quem servira tão bem. E com o coração transbordante, como sua vida, Moisés morreu ali nos cumes do Monte Nebo. Para que seus restos ficassem a salvo de mãos pagãs, enterraram-no secretamente ali perto em um vale resguardado.

O acampamento dos israelitas era provavelmente nas terras planas conhecidas como Planícies de Moabe. Como era seu costume desde a época que passaram pelo Monte Sinai, as Doze tribos acampavam na formação de um grande quadrado. Havia três tribos de cada lado do quadrado e no centro repousava a sagrada Arca da Aliança, guardada numa bela tenda chamada Tabernáculo.


Morto Moisés, Israel adquiriu um novo chefe, Josué, um príncipe da meia tribo de Efrain, soldado valente e estrategista hábil. Ele e Calebe, que era da tribo de Judá, foram os dois únicos dos doze espias enviados a Canaã, trinta e nove anos antes, que insistiram em que se fizesse um ataque nessa época. O momento aproximava-se finalmente. Bastaria apenas que o Senhor falasse ao coração de Josué e ele comandaria o ataque. Deram-se pois, instruções ao povo para que estivesse pronto para a marcha. Despacharam-se espias a Jericó para obter informações, e, enquanto eles não voltavam, Josué deu tempo ao tempo.

As notícias desses espias, não só com relação a essa primeira grande cidade, mas também com respeito ao temor provocado através de toda a terra, foram tão favoráveis que Josué agiu imediatamente (Josué 2). O acampamento no alto do platô foi imediatamente levantado; as tribos formaram em sua costumeira ordem de marcha (Números 2,34) e, seguindo os sacerdotes que carregavam a sagrada Arca da Aliança, puseram-se a caminho. Nesse lugar a tribo a trilha desce rapidamente para o fundo do Vale do Jordão, de modo que a margem leste do rio deve ter sido alcançada facilmente antes do cair da noite. Aí assentaram acampamento novamente; o povo descancou enquanto Josué e seus oficiais e outros líderes certamente se preparavam para atravessar a corrente e estabelecer um acampamento base do qual eles pudessem lançar o ataque a Jericó.

Esses preparativos parecem que consumiram três dias. Na tarde do terceiro dia os oficiais percorreram o acampamento dando instruções para o dia seguinte. A travessia do Jordão, como a travessia do “Mar Vermelho”, iria ser um dia memorável na história de Israel – e estava prestes a acontecer. Na manhã seguinte eles entrariam na Terra Prometida !

Era no principio de abril, pois se aproximava a Páscoa, quando os israelitas pararam na margem leste do Jordão. Que ano era? Ainda há discordâncias quanto a data de destruição da cidade de Jericó e ao começo de seu longo abandono. É provável uma data não muito longe de 1250 aC.



Uma vez atravessado o Jordão, os israelitas estabeleceram um acampamento permanente em Gilgal. Esse lugar parece que ficava a meio caminho entre o rio e Jericó, seu primeiro objetivo militar, e todos os velhos, mulheres e crianças ficaram lá em segurança, enquanto os combatentes partiam à conquista da terra.

Antes de começar a campanha, realizaram-se cerimônias religiosas nesse acampamento que foi consagrado como terreno sagrado e continuou sendo um centro sagrado até pelo menos os primeiros anos do reino. Aí se reuniram também tropas das tribos de Ruben e Gade e da meio tribo de Manasses, pois eles haviam concordado em ajudar na conquista do resto da terra (Josué 4,12)

Jericó, como informa bem conhecida narrativa bíblica, caiu rápida, completa e milagrosamente, embora um tremor de terra tenha abalado suas muralhas duplas. A maneira como seus restos estão espalhados faz parecer que um terremoto foi o meio escolhido pelo Senhor para ajudar o seu povo eleito. Ele também poderia ter ateado o fogo que consumiu a cidade, a mais velha de Canaã.

Que restava a frente? Hábil estrategista que era, não parece provável que Josué tencionasse abrir caminho à força através de Canaã.Seus guerreiros haviam conquistado valiosa experiência nos encontros a leste do Jordão, mas ainda assim não podia esperar levar tudo de vencida à sua frente. Assim sendo, provavelmente foram enviados espias adiante como os que tinham visitado Jericó. Era preciso estudar a terra, suas cidades, montanhas, vales e principalmente seu povo. Não poder haver dúvida de que os espias de Josué trabalharam incansavelmente reunindo dados em que se pudesse basear a campanha.

O primeiro movimento além de Jericó talvez tenha sido pela trilha usada séculos antes por Ló, quando se separou de Abraão e procurou um lar na fértil região em volta de Sodoma e Gomorra. Os israelitas marchavam agora na direção oposta, subindo o íngreme caminho para Betel e Ai, uns vinte quilômetros a oeste de Jericó e 960 metros mais acima.

Segundo a Bíblia, houve primeiro uma derrota e depois uma vitória em Ai. Mas os sítios de Ai e de Betel foram muito cuidadosamente escavados e sabemos agora que Ai foi destruída muito antes do tempo de Josué, por volta de 2200 ou mesmo 2400 aC., e nunca reconstruída. O próprio nome de Ai (há’Ái) significa “a ruína”. Por outro lado o testemunho arqueológico revela-nos que Betel – a uns dois quilômetros de distância – foi reduzida a entulho carbonizado pela época da invasão israelita. Sua destruição provavelmente proporcionou-lhes a primeira base nas terras altas centrais.

Os canaanitas viram então que tinham dificuldades pela frente. A tática dos astutos gibeonitas , cujas cidades ficavam perto de Betel , indicava isso claramente. Sabendo que seriam os seguintes na linha de ataque, enviaram emissários aos israelitas. Esses homens, vestidos de trapos e fingindo que estavam exaustos da “longa jornada”de sua “pátria distante”, induziram os líderes de Israel a jurarem solenemente que viveriam em paz com eles e agiriam como seus protetores (Josué 9).

Como pastores e nômades, os israelitas estavam muito interessados nessas regiões de Canaã- as áreas montanhosas- que eram extremamente próprias para o apascentamento de rebanhos. Duas tribos e parte de uma terceira já haviam decidido estabelecer-se nas áreas de pastio a leste do Jordão, mas cerca de ¾ do povo ainda tinham de encontrar lares.

Josué voltou a seguir sua atenção para os cinco reis amorreus que faziam guerra à sua aliada, a cidade de Gibeom. As forças israelitas tinham voltado ao acampamento base em Gilgal, mas , recebendo um apelo urgente de Gibeom, fizeram uma marcha forçada até essa cidade, a atual El Jib, perto de nove quilômetros o norte de Jerusalém. Aí, no vale de Ayalon, para os lados do oeste, o Sol imobilizou-se e a Lua ficou parada...o tempo suficiente para que uma batalha decisiva fosse ganha pelos israelitas com o auxilio dos céus. Os cinco reis inimigos foram enforcados em cinco árvores. A seguir, Josué e suas forças tomaram a cidade de Maquedá, onde os cinco reis se haviam escondido e prosseguiram para tomar Libna (Josué10) .

Conquanto a lista das conquistas de Josué seja impressionante, a Bíblia admite francamente que Canaã não foi toda conquistada imediatamente. Mas tantas cidades haviam sido conquistadas nessa altura, que as tribos restantes puderam dividir entre si a terra do oeste do Jordão. Também se designou território para a meia tribo de Manassés que havia deixado Gileade e Basã. Isso feito tornou-se seguro retirar de Gilgal as mulheres, as crianças e os velhos, os rebanhos e outros animais, e o acampamento foi abandonado.

As áreas destinadas as tribos, por sorteio, eram, por ordem de norte a sul, mais ou menos como segue: Aser recebeu uma tira costeira de ricas e verdes planícies, com cerca de 20 quilômetros de largura, estendendo-se do rio Leontes, acima de Tiro até à beira superior da planície de Sarom, abaixo do Monte Carmelo. A tribo de Neftali foi dado um pedaço de terra adjacente, montanhoso mas fértil, que ia do sul de Leontes ao monte Tabor e a leste até ao Jordão superior e ao mar da Galiléia. Abaixo desses dois ficava o pequeno trecho que coube a Zebulom, e a leste dele a área mais ou menos do mesmo tamanho, que se tornou a terra da tribo de Issacar.

Ao sul desta estendia-se uma quadra grande e muito irregular, que ia da costa do mar ao Jordão e que coube por sorte a Manasses. Compreendia a bela planície de Sarom. Imediatamente abaixo dela ficavam três pequenas porções de terra que couberam à Efrain, Benjamim e Dã.

A terra que coube à Judá ao norte pelo vale de Soreque e por uma linha curva desde de Quiriate-Jearim, que passava logo ao sul de Jebus (Jerusalém) e continuava até à extremidade norte do mar salgado (Mar Morto). Sua fronteira sul era o deserto de Parã. A terra de permeio estendia-se do Mediterrâneo ao “mar salgado”e compunha-se de uma rica planície costeira, onde floresciam os cereais, uma região montanhosa a leste chamada Sefelá, onde havia excelentes olivais e vinhas, e uma serra que descia para o mar salgado. A minúscula tribo de Simeão viveu dentro das fronteiras de Judá, no deserto de Neguev, ou “país do sul” compartilhando com Judá as cidades do extremo sul de Canaã.

Outro grupo restava ainda para ser alojado – os Levitas, ou descendentes de Levi. Esta tribo fora inteiramente posta de lado como servos de Deus e sacerdotes, encarregados de zelar pelo Tabernáculo e pela sagrada Arca da Aliança. Foram-lhes dados direitos em quarenta e oito cidades, espalhadas pelas terras de todas as tribos.

Em recompensa pelo seu maravilhoso comando, Josué recebeu uma cidade somente para ele, Timnate-Sera, nas colinas de Efrain, onde morreu com a idade de 110 anos. Antes de morrer Josué estabeleceu um centro religioso em Silo, cerca de quinze quilômetros a nordeste, na mesma área tribal. Acredita-se que silo foi a primeira cidade israelita que eles mesmos construíram, e foi aí que erigiram um belo e novo Tabernáculo para guardar a sagrada Arca da Aliança. Durante muitos anos membros devotos de todas as tribos fizeram peregrinações à Silo.

Os israelitas reconstruíram muitas cidades depois de as assaltarem e demolirem. Infelizmente, eles eram pastores, não mecânicos nem artesãos, e seu trabalho de reconstrução era tosco e inferior aos que tinham destruído.

Canaã era uma terra de Cidades-Estados, cujos reis brigavam entre si mesmo durante o período em que o Egito manteve a terra sob o seu domínio. Havia uma classe governante, uma aristocracia, como no Egito e uma classe inferior composta de servos, que eram virtualmente escravos. O trabalho da maioria estava à disposição dos poucos senhores, e suas cidades eram construídas por trabalho forçado segundo os padrões que fossem exigidos.

Em contrastes, o israelita era uma pessoa relativamente independente. Respeitava seus ditames tribais familiares, mas fora isso era um homem livre. Em Israel nesse tempo não havia corvéia nem conscrição de trabalhadores. De modo que, quando os israelitas resolviam trabalhar em grupo para reconstruir uma cidade que tinham destruído, trabalhavam apenas o suficiente para atender às exigências mínimas. Uma vez cumpridas estas, cada homem ia tratar dos próprios afazeres, e o resultado foi serem as cidades israelitas muito menos sólidas e menos bem construídas.

Foram necessárias varias gerações para que esses pastores evoluíssem de habitantes de tendas e nômades para moradores de cidades. Eles não conseguiam dedicar muito tempo à cultivar as artes mais delicadas da paz; havia guerra tanto de dentro como de fora. Depois da morte de Josué, durante o período dos Juízes, houve invasões por leste dos amonitas, dos moabitas e dos midianitas.

Foram os midianitas que deram fama ao hábil Gideão. Com a ajuda de Deus e apenas trezentos homens ele esmagou as poderosas forças inimigas. Ofereceram-lhe por isso o Reino de Israel. Honra que ele recusou porque, como devoto hebreu, achava que os Filhos de Israel não devia servir nenhum rei terreno; deviam servir apenas a Deus. (Juízes 6,2-40; 7; 8,1-32).

A guerra contra os midianitas foi apenas um dos muitos problemas sérios que assediaram os israelitas nesse tempo. A fome em Judá levou Noemi e seu marido, entre outros, para a terra de Moabe. Ficando viúva, Noemi voltou à sua terra, em companhia de sua nora, a dedicada Rute, que casando com Boaz, veio a tornar-se bisavó de Rei Davi e um dos antepassados de Jesus.

Durante dezoito anos os amonitas mantiveram Israel sob o se jugo a leste do Jordão, até que foram desalojados por um “juiz”, ou chefe e herói nacional, Jefté.

Enquanto estes acontecimentos ocorriam, havia também tensões internas – ameaças contra a tribo de Rúben , quando seus membros erigiram um altar comemorativo no próprio território. A perturbação interna mais séria ocorreu pelo fim do período dos Juízes, quando a tribo de Benjamim quase foi aniquilada por dar proteção ao malvado povo de Gibeá.

Há atualmente um bom número de sinceros cristãos que acreditam que os primeiros cinco livros da Bíblia – os Livros de Moisés- estão poucos diferentes da forma em que Moisés os escreveu. Há todavia, provas inconfundíveis de que, devido a extensas compilações , a forma em que conhecemos agora não foi atingida senão muito depois do tempo de Moisés, Em anos recentes tem-se demonstrado, sem sombra de dúvida, que o povo conhecido como “filisteus” não fincou pé na Terra Santa antes do século XII aC. Assim, quando encontramos menção deles no Gênesis (Gen 21,32) ou em Êxodo (Ex15,14) , devemos considerar sua inclusão como a expressão de um ponto de vista posterior a referindo-se ao povo cananeu que ocupava as planícies costeiras e que foram tomadas mais tarde pelos invasores filisteus.

Os “povos do mar”, como os egípcios chamavam os filisteus, originaram-se, ao que parece, em Caftor, que é a Ilha de Creta. Dessa fortaleza de montanha eles atacaram a Grécia e também as costas orientais do “Grande Mar” (Mediterrâneo) . Uma horda deles avançou ao longo da costa, apoiada por um frota de navios que se mantinha ao largo, conquistando e ganhando força à medida que avançava, tendo por objetivo final o Egito e sua grande riqueza. Mas os egípcios, comandados pó Ramssés III, estavam preparados, e derrotaram os filisteus no ano de 1188 aC. Os que escaparam à chacina recuaram ao longo da costa até Canaã e estabeleceram aí uma confederação de cinco cidades – Ecrom, Asdode, Ascalom, Gate e Gaza – nas planícies ao longo da costa do mar entre Jope e o deserto da Península do Sinai. Os episódios relativos à Sansão e aos filisteus são apenas uma mostra do grande conflito que viria a ter lugar entre este grande povo bem organizado e combativo e os pouco unidos e muito independentes israelitas. Por causa dos filisteus, o Povo Eleito de Deus seria submetido a provas muito mais severas de dentro e de fora, durante as várias gerações seguintes, do que as que havia experimentado durante o período dos Juízes.

Trajetória do Hamas: do terrorismo à chefia do governo.

Roma - Considerada uma organização terrorista por Israel e muitos países ocidentais, o Hamas provou, com os resultados das eleições legislativas desta semana, que é visto pela maioria da população dos Territórios Palestinos como uma força legítima e política, capaz de defendê-la da ocupação de Israel e de combater o velho sistema de poder do atual partido governista, o Al-Fatah, acusado de corrupção e clientelismo.

Hamas (palavra árabe que significa "ardor", "zelo") é a maior organização militante palestina islâmica. Foi fundada em 1987, no começo da primeira Intifada, movimento de revolta palestina contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

O seu projeto declarado de curto prazo é o de obrigar Israel a sair dos Territórios ocupados em 1967, projeto este que perseguiu com uma série de ataques sangrentos e atentados contra alvos militares e civis israelenses, antes de aceitar há alguns meses uma trégua parcial.

O objetivo estratégico do Hamas é constituir um Estado islâmico em toda a Palestina histórica, aquela delimitada pelas fronteiras antes de 1948. No seu programa ainda consta o objetivo de destruir o Estado de Israel.

Braços político e militar - A organização, fortemente radicada entre a população dos Territórios, tem uma ala militar (com um número indefinido de combatentes e milhares de simpatizantes) e outra política.

A sua atividade social, com a construção de escolas, hospitais e centros para a assistência à população carente, deu ao Hamas muita popularidade.

A atividade militar, com a organização de atentados e represálias pelas Brigadas de Al-Qassam, braço armado do grupo, além da popularidade em alguns setores palestinos, tornou-a também um interlocutor inaceitável pelos israelenses.

Principais líderes - Além dos mortos impostos ao Estado de Israel, Hamas perdeu muitos de seus líderes históricos e mais amados. O seu fundador, o xeque Yassin, foi morto em um ataque israelense com mísseis em 22 de março de 2004; e o seu sucessor imediato, Rantissi, foi assassinado em 17 de abril de 2004. Khaled Meshaal, que vive entre a Síria e o Líbano, é tido como o atual líder do grupo.

Foi só depois da morte de Yasser Arafat, o líder da causa palestina, que a organização islâmica amadureceu uma mudança: a de participar ativamente do processo eleitoral.

Os dirigentes do Hamas apostaram na importância que o seu movimento conquistou na sociedade civil e nas necessidades de reformar uma estrutura política palestina já em declínio, tomada pela corrupção, pela ineficiência e pela perda de credibilidade. O desafio eleitoral foi superado. Resta agora esperar para ver o que Hamas fará no governo.

Quem é quem no atual conflito Árabe – israelense na faixa de Gaza

Quem é quem

A ofensiva de Israel contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza é o novo capítulo de uma velha história. Ao longo do tempo, alguns personagens se repetem e tornam-se lendários, como Ariel Sharon, líder israelense que está em coma desde 2006, e Yasser Arafat, palestino que fundou o Fatah, hoje rival do Hamas. Também figuram nessa trama os líderes que tomam parte nas negociações de paz. A seguir, os principais personagens do atual conflito na região.

ISRAEL
• Atacou a Faixa de Gaza no fim de dezembro para esmagar os militantes do Hamas
• Só aceita discutir um cessar-fogo quando os ataques com foguetes terminarem
• Descarta negociar com os líderes da facção radical, mas falaria com ANP e Fatah



HAMAS
• Acusa Israel de cometer um genocídio, dizendo ser alvo de um ataque injustificado
• Apesar de apresentar-se como parte agredida, mantém a retórica inflamada contra Israel
• Militantes são responsáveis por milhares de ataques com foguetes contra israelenses
OS ISRAELENSE

Ehud Olmert, primeiro-ministro
Foi eleito em abril de 2006 pelo Kadima, partido criado no ano anterior por Ariel Sharon. Mas já ocupava o cargo como interino desde janeiro daquele ano, devido ao derrame cerebral que afastou Sharon do poder. Ainda interino, se irritou com a aceitação, por parte de Mahmoud Abbas, do líder radical Ismail Haniya como primeiro-ministro palestino e congelou o repasse de 50 milhões de dólares mensais à Autoridade Nacional Palestina (ANP). Meses depois, novo conflito contra os árabes: uma guerra contra o grupo radical libanês Hezbollah, da qual saiu abalado por não conseguir uma vitória convincente. O fraco desempenho diante do Hezbollah lhe rendeu impopularidade e a acusação – por parte de uma comissão formada pelo governo para avaliar a sua performance na guerra – de “falha grave de julgamento, responsabilidade e prudência”. O surgimento de denúncias de corrupção piorou a situação de Olmert, que renunciou ao posto de premiê em setembro de 2008. O político segue no poder, mas como líder de um governo de transição que será dissolvido após as eleições de fevereiro. Como outros da primeira linha do governo israelense, nesta guerra Olmert tem falado grosso contra o Hamas. Também criticou a comunidade internacional por se opor à invasão da Faixa de Gaza. Com vasta carreira política, que teve início em 1973, Ehud Olmert já foi prefeito de Jerusalém e por diversas vezes ministro. Nascido em 1945, em Binyamina, então Palestina, formou-se advogado e, antes de se eleger parlamentar, aos 28 anos, serviu ao exército israelense.


Shimon Peres, presidente
Personalidade de destaque em Israel por ter recebido, em 1994, o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com Yitzhak Rabin, primeiro-ministro judeu assassinado, e com o histórico líder palestino Yasser Arafat. Otimista inveterado, Shimon Peres sonha com a paz na região. Em 7 de janeiro, 12º dia de conflito em Gaza, chegou a dizer que Israel estudaria a proposta de cessar-fogo feita pela França e pelo Egito, em contraste com as vozes mais furiosas de Israel, como a do ministro da Defesa, Ehud Barak, que prega uma guerra sem concessões. A função que exerce, no entanto, não possui o peso político necessário à ambição de promover a paz no Oriente Médio. Ao presidente são reservados poucos poderes, como o de indicar o deputado que pode se tornar primeiro-ministro e o de perdoar prisioneiros – desde que o ministro da Justiça concorde. O governo é conduzido de fato pelo primeiro-ministro, e Peres sabe disso. Com mais de 50 anos de política, ele foi premiê em duas ocasiões: de 1984 a 1986 e de 1995 a 1996. Foi também ministro das Relações Exteriores, da Defesa, das Finanças, da Informação e dos Transportes. Sua carreira foi feita no Partido Trabalhista, do qual era considerado um pilar até se juntar ao Kadima. Peres sabe também que a política não é uma linha reta. Quando estava à frente da Defesa, na década de 1970, apoiou as primeiras colônias judaicas na Cisjordânia ocupada. E nos anos 1990 adquiriu projeção internacional por contribuir com as negociações para o acordo de Oslo, assinado por Yasser Arafat em 1993. Passou então a ser chamado de “pomba da paz”. Nascido em 1923, na Polônia, Shimon Peres aportou no Oriente Médio com a família em 1934. Crescido no movimento sionista jovem HaNo'ar Ha'oved, atua politicamente desde cedo.


Ehud Barak, ministro da Defesa
Ocupa o cargo desde junho de 2007. Assumiu a pasta pouco após sua eleição para líder do Partido Trabalhista e anos depois de sua atuação como premiê do estado judeu, função que exerceu de 1999 a 2001, antes de Ariel Sharon. Na atual função, vem exibindo firmeza. Estreou anunciando que não economizaria medidas para garantir a segurança de Israel e, no início do conflito contra o Hamas, falou em uma “guerra sem trégua” contra o grupo islâmico. Ele pode estar em busca, hoje, de compensar as concessões feitas aos palestinos em 2001, para muitos o mais ousado plano de paz já apresentado por um governo israelense. Plano que custou caro, aliás. O então líder palestino Arafat não aceitou as concessões oferecidas por Barak e apoiou a segunda intifada, derrubando o premiê israelense e fortalecendo o Hamas, contra quem Barak agora dirige todos os seus esforços. Militar mais condecorado da história de Israel, Ehud Barak nasceu em 1942 no kibutz Mishmar Hasharon, filho de imigrantes poloneses que chegaram ao Oriente Médio no começo da década de 1930. Recrutado pelo exército aos 18 anos, assumiu o nome hebraico Barak – seus pais eram Brog – e construiu uma sólida carreira militar, chegando a chefe do Estado Maior das Forças Armadas, cargo que exerceu entre 1991 e 1995. Foi neste ano que entrou na política, pelas mãos de Yitzhak Rabin, que o nomeou ministro do Interior. Após o assassinato de Rabin, em novembro de 1995, Barak se tornou chanceler.


Tzipi Livni, ministra das Relações Exteriores
Escolhida pelo presidente Shimon Peres para encabeçar o novo governo, a ministra das Relações Exteriores de Israel pode se tornar a segunda primeira-ministra de Israel, depois de Golda Meir, que governou de 1969 a 1974. Para tanto, terá de derrotar nas eleições de fevereiro o ex-premiê Benjamin Netanyahu, um conhecido linha-dura no conflito com os palestinos. É nisso, apostam analistas, que está de olho a líder do partido Kadima quando declara, por exemplo, que a ofensiva israelense está abalando o Hamas e que a guerra só vai acabar quando a facção palestina deixar de ser uma ameaça para os judeus. É isso que foca ao rejeitar os apelos de trégua da União Européia: ela tenta mostrar força a seus eleitores, calando seus críticos, que a acusam de curta experiência política e de fraqueza em questões de segurança. Alguns chegam a citar, de forma depreciativa, suas boas relações com a americana Condoleezza Rice, que em sua gestão como Secretária de Estado usou de certa suavidade no trato com os palestinos. Entre seus críticos, já figurou até Ehud Olmert, que disse temer pelo futuro de Israel, caso Livni chegasse ao poder. “É incapaz de tomar decisões”, afirmou, dias antes de sua renúncia. Livni, ao contrário, havia se mostrado decidida meses antes, ao pedir a saída do premiê, após a divulgação do relatório oficial com os erros cometidos por Israel na guerra contra o Hezbollah. Filha de uma família de direita ultranacionalista, Livni atuava pelo Likud, mas em 2005 passou ao centro, aderindo ao partido de que hoje é a principal voz. A chanceler nasceu em 1958, em Israel, se formou advogada e chegou a tenente na carreira militar. Na política, ascendeu vertiginosamente com a ajuda de Ariel Sharon, fundador do Kadima, que a catapultou para o topo do partido.


Gaby Ashkenazi, chefe do Estado Maior das Forças Armadas
O general reformado Gaby Ashkenazi se tornou chefe de Estado Maior com a missão de reerguer o exército de Israel, em crise desde a guerra contra o Hezbollah, em meados de 2006. Era um retorno: Ashkenazi havia se afastado por dois anos para comandar o Ministério da Defesa. A estratégia parece ter surtido efeito. O ex-militar tem mostrado satisfação com os progressos das forças israelenses na Faixa de Gaza. “Nossos soldados atuam perfeitamente, progridem segundo os planos”, declarou Ashkenazi em 5 de janeiro, quando a ofensiva terrestre já tinha se iniciado. Formado na Academia Militar israelense e na Academia Militar de Fuzileiros Navais dos EUA, ele acumula vasta experiência de farda. Aos 53 anos, tem 33 de serviço ativo. Alistou-se em 1972, e já no ano seguinte lutava na Guerra do Yom Kippur. Em 1978 e em 1982, esteve presente às invasões do Líbano por Israel. Em 1988, foi nomeado comandante da Brigada Golani, se tornando um alto oficial e, em 1998, passou a chefe do Comando Militar Norte, responsável pela fronteira com o Líbano. Em maio de 2000, efetuou a retirada de Israel do sul do Líbano, ocupado por 18 anos, embora julgasse que a ação poderia fortalecer o Hezbollah. Ashkenazi possui ainda graduação em Ciências Políticas e um título superior de Harvard em Administração de Empresas.

OS PALESTINOS


Ismail Haniya, líder do Hamas e primeiro-ministro da Faixa de Gaza
É o principal dirigente do Hamastão, como tem sido chamada a Faixa de Gaza desde que o grupo radical islâmico a tomou à força, em junho de 2007, instituindo ali um governo paralelo ao da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia. Visto como esperança de paz no início de 2006, depois da vitória do Hamas nas eleições legislativas palestinas, Haniya não correspondeu às expectativas. Após romper com o Fatah, o partido que detém o poder da ANP, o Hamas tomou Gaza de armas na mão. E, ao desrespeitar a trégua assinada em junho de 2008 com Israel, sobre quem lançou foguetes, deu ao vizinho motivo para uma ofensiva. Apesar disso, e de ter seu escritório oficial destruído por caças de Israel, Haniya manteve uma postura desafiadora. Já nos primeiros dias da guerra, acusou Israel de promover um “massacre” e falou em nova intifada, reforçando a convocação antes feita pelo líder máximo do Hamas, Khaled Mashaal. Nascido em 1962 no campo de refugiados de Shati, a oeste da cidade de Gaza, Haniyeh é filho de palestinos que abandonaram um vilarejo onde hoje fica a cidade israelense de Ashkelon, um dos principais alvos do Hamas. Formou-se em literatura árabe na Universidade Islâmica de Gaza, em 1987, ano em que teve início o primeiro levante dos palestinos contra a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia. Detido por autoridades israelenses devido à militância no Hamas, foi preso e expulso dos territórios ocupados. Retornou a Gaza em 1993, quando recebeu indicação para o cargo de reitor da Universidade Islâmica. Quatro anos depois, se tornou assessor do poderoso xeque Ahmed Yassin. A relação de proximidade entre eles fez com que Haniya subisse na hierarquia do movimento islâmico.


Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina
É co-fundador do Fatah, movimento que rivaliza com o Hamas. Criou a facção em parceria com Yasser Arafat, em 1959. Conhecido também como Abu Mazen, Abbas foi eleito para o comando da ANP em 2005, ano seguinte ao da morte de Arafat. Antes de presidente, foi primeiro-ministro da ANP, cargo que alcançou em 2003. Por sua moderação e disposição para o diálogo, teve sempre aceitação internacional superior à de Arafat. Quando o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas, em janeiro de 2006, quebrando o domínio de mais de dez anos do Fatah, Abbas chegou a formar um governo de coalizão com o grupo, aprovando o nome de Ismail Haniya para primeiro-ministro dos palestinos. Mas a paz durou pouco. Logo, os dois se viram em disputas internas que culminariam no cisma dos palestinos, agora divididos entre o governo da Faixa de Gaza, onde há 1,5 milhão de habitantes, e o da Cisjordânia, com 2,6 milhões. No atual conflito, Abbas não deu apoio ao Hamas, de quem é rival, mas já disparou duras críticas à campanha de Israel, que chamou de “criminosa e bárbara” e de “o mais sangrento dos massacres”. Na mesma ocasião, ameaçou abandonar as negociações para um acordo de paz com o estado judeu. Nascido em Safed, antiga Palestina, em 1935, Mahmoud Abbas é um dos poucos fundadores da Fatah ainda vivos. Considerado um intelectual da causa palestina, escreveu vários livros, entre eles um polêmico estudo sobre o Holocausto.


Hosni Mubarak, presidente do Egito
O Egito tem sido um dos principais mediadores das relações entre Hamas e Israel e, de modo geral, das negociações de paz no Oriente Médio desde 1979, quando assinou um acordo de paz com Israel, país com que já esteve em guerra em três ocasiões. Havia seu dedo no cessar-fogo assinado em junho de 2008 – e depois desrespeitado pelo grupo islâmico, o que serviu de estopim para a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza. Neste conflito, o país se uniu à França para propor uma trégua. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, e seu colega Nicolas Sarkozy se reuniram em Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, para discutir o tema e em 6 de janeiro apresentaram um plano de paz à ONU. No papel, o fim da campanha militar israelense por tempo determinado – período em que o Egito trabalharia pela paz definitiva – e o início do diálogo para a retirada do bloqueio ao território palestino. Não se trata, porém, de uma proposta totalmente favorável ao Hamas. Dessas conversações tomaria parte a ANP. O presidente palestino Mahmoud Abbas gostou. Nascido em 1928, Hosni Mubarak se tornou vice-presidente em 1975 e passou à presidência em 1981, quando o então presidente Anuar Sadat foi morto por extremistas islâmicos. Desde então, vem se mantendo com um perfil moderado, que o mantém distante de grupos radicais árabes e perto da ajuda financeira dos Estados Unidos.


Nicolas Sarkozy, presidente da França
Ao lado do colega egípcio Hosni Mubarak, o presidente francês se tornou um dos personagens mais ativos na busca por soluções para o conflito entre Hamas e Israel. Tem feito viagens e mantido contato com diversos políticos da região. “O presidente Sarkozy tem muita familiaridade com a situação e a complexidade da nossa região”, declarou durante o conflito a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que no entanto se mostrou reticente a aceitar o plano de Sarkozy e Mubarak. A proposta contemplaria até o isolamento de Gaza do contrabando de armas. O cessar-fogo imediato tem sido uma posição defendida pela União Europeia (UE), que até o começo de 2009 tinha a França em sua presidência rotativa, agora entregue à República Checa. Famoso também por seu casamento com a cantora italiana Carla Bruni, Nicolas Sarkozy nasceu em 1955, em Paris, e entrou na política aos 21 anos, como vereador de Neuilly-sur-Seine.


Tony Blair, representante do Quarteto
Ex-primeiro-ministro da Grã Bretanha, Blair representa o grupo formado por ONU, EUA, União Europeia e Rússia para discutir a paz no Oriente Médio. Exerce a função desde junho de 2007, mesmo mês em que o Hamas tomou o poder na Faixa de Gaza. No atual conflito, tem defendido medidas que permitiriam, segundo diz, um “cessar-fogo imediato”. Entre elas, está o corte dos túneis clandestinos por onde armas e dinheiro seguiriam do Egito para Gaza – mais exatamente para o Hamas, grupo islâmico que sempre antipatizou com a presença de Blair na região. A fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza tem quase 200 túneis, de acordo com o Exército de Israel. Os túneis que o britânico quer obstruir teriam sido construídos pelo Hamas após o bloqueio israelense imposto em 2007. O fim do bloqueio israelense é uma das reivindicações do grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza. Blair se nega a dialogar com o Hamas. Por oito anos, foi um importante aliado dos EUA – que por sua vez são tradicionalmente favoráveis a Israel – e chegou a pedir a Barack Obama que trabalhasse no conflito no Oriente Médio assim que assumisse a presidência.


Organização das Nações Unidas (ONU)
Organismo multilateral criado ao fim da II Guerra Mundial com a missão de trabalhar pela paz mundial, a organização teve seu papel abalado na guerra do Iraque, quando não foi eficaz na tentativa de impedir a ofensiva militar americana. Na campanha de Israel contra o Hamas, o papel da ONU foi novamente colocado em dúvida. Críticos a acusaram de demorar a tomar medidas de impacto – a ajuda humanitária esteve em pauta desde os primeiros dias de guerra. Mas no 14º dia de confronto, três dias após receber o plano de trégua elaborado pelo Egito e pela França, o Conselho de Segurança da organização aprovou por unanimidade uma resolução pelo cessar-fogo imediato. Só os EUA se abstiveram. Para justificar a falta, a secretária de Estado Condoleezza Rice disse esperar pelos resultados das mediações egípcias – enquanto, em Washington, o Senado americano aprovava uma resolução que reiterava o “compromisso inquebrável” do país com Israel e o direito do país se defender. A sessão de emergência da ONU foi convocada por iniciativa de governos de nações islâmicas e países em desenvolvimento. Ao fim, a proposta foi rechaçada tanto por Israel como pelo Hamas. A ONU, contudo, não se calou. Pediu na mesma data investigações sobre a ocorrência de crimes de guerra na Faixa de Gaza. Segundo a instituição, Israel alvejou escolas e também um caminhão de ajuda humanitária. Das 760 vítimas contabilizadas até 9 de janeiro, 42% eram mulheres e crianças. “A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada”, afirmou a alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.

História de Israel

A chamada de Abraão
Amados irmãos, este ponto é de extrema importância tanto para a compreensão da história de Israel, como também para a escatologia geral.
O nome de Abraão é citado várias vezes na Palavra de Deus. A sua história surge em Gn 11.26 e se finda com a sua morte registrada em Gn 25. 7-11. Ele é considerado o pai do povo hebreu. Antes de prosseguirmos, primeiramente quero selecionar alguns textos importantes para o nosso estudo; vejamos:
Gn 11.24-32 que trata da origem de Abraão.
Gn 12.1-7 que relata a chamada de Abraão, quando o Senhor fala com ele pela primeira vez. Este texto é especialmente importante; grave bem isso!
Deus promete três coisas para Abraão.
Gn 13.14-18, A terra de Canaã é dada a Abraão e sua descendência. Neste capítulo há uma confirmação das promessas feitas anteriormente.
Gn 15.1-21,outro texto importantíssimo que fala sobre a fé de Abraão. Neste texto Deus da garantia e certeza do cumprimento da sua promessa, pois ela estava baseada apenas em quem prometeu: O próprio Senhor!
Deus faz aliança com Abraão!
Gn 17.1-14 Confirmação da aliança feita por Deus vinte e quatro anos depois e a mudança do nome de Abrão para Abraão. Neste texto é instituída a circuncisão como sinal da aliança feita por Deus com Abraão.
Gn 17.15-22 Aqui Deus muda também o nome de Sarai para Sara e afirma que a sua aliança seria confirmada em Isaque.
Gn 21.1-4 O nascimento de Isaque.
Gn 22.15-19 Confirmada a promessa após Abraão ser provado.
Faça a leitura dos textos citados anteriormente para que possamos prosseguir com o nosso estudo...

II.1) Abraão, o caldeu!
Abraão era natural de Ur dos caldeus. Caldéia era o nome de uma terra ao sul da Babilônia localizada entre o deserto e o golfo pérsico, próximo à margem direita do rio Eufrates; “caldeus” era o nome dos seus respectivos habitantes. Estes nomes mais tarde foram usados para denotar a Babilônia inteira e todo o seu povo, visto que reis de origem caldéia ocuparam o trono da Babilônia, como, por exemplo, Marduque-apla-idina II; Nabopolassar; Nabucodonossor; Amel-marduque; Nabonido e Belsazar.
Como você pode perceber, Abraão não era judeu de nascimento, visto que a nação de Israel ainda não existia; mas era caldeu, conforme o texto de Gn 11.27-32.
A chamada de Gn 12.1-4 ocorreu em Harã, mas na verdade Deus já havia se manifestado a ele em Ur. Quando Deus chama Abraão, ele estava em Ur, segundo os textos de Gn 15.7; e At 7.1-4; então ele vai para Harã, ao norte da Mesopotâmia, onde permanece até a morte do se pai. Aos 75 anos, Deus fala com Abraão e ele parte de Harã.
Abraão não foi chamado pelos seus méritos próprios, mas pela eleição de Deus que opera segundo a sua infinita graça e presciência .
Quando Abraão sai de Ur, ele não sabia para aonde estava indo, mas atende ao chamado pela fé. Ver Gn 12. 1; At 7.3; Hb 11.18.

O mapa abaixo mostra o mundo antigo. Repare que Ur está bem ao sul entre o Deserto Arábico e o Golfo Pérsico. Em At 7.2 Estevão se refere a Ur como parte da Mesopotâmia porque os escritores gregos e romanos após o IV século a.c., estendiam o uso da palavra para descrever o vale inteiro do Tigre - Eufrates, ou seja, o moderno Iraque. A seta vermelha indica o caminho percorrido por Abraão de Ur para Harã e de Harã até Siquém em Canaã.

II.2) O pacto Abraâmico em Gn 12.1-4- terra, semente e bênção! Este capítulo importantíssimo traz a promessa que Deus faz a Abraão, este texto é bastante claro, mas a sua distorção pode influenciar negativamente em toda interpretação do plano de salvação, bem como na escatologia.. Deus promete três coisas; vejamos então o que Deus prometeu a Abraão: TERRA, SEMENTE E BENÇÃO. As promessas que Deus faz a Abraão neste texto, são pormenorizadas em três outros pactos, a saber: Palestino, Davídico e Eterno. No Pacto palestino (Dt 30.1-8) vemos a terra; no Davídico (II Sm 7.12-16) vemos a semente e no Novo pacto (Jr 31.31-34; Jo 3.1-8; Hb 8.6-13) vemos as bênçãos. As bênçãos seriam estendidas a todas as famílias da Terra partindo de Abraão, ou seja: Aos gentios. Leia Gl 3. 13-18. Repare que a promessa certamente haveria de acontecer. Deus não colocou condições, ele disse: “farei”; “abençoarei”; “engrandecerei” e “serão”. Para que de Abraão surgisse uma grande nação, ele precisaria, logicamente, ter uma Em Gn 13.14-18, após Abraão e Ló se separarem, Deus reafirma a promessa e diz que daria a terra de Canaã em sua totalidade para ele.

II.3) Confirmando as promessas. Abraão; um homem de fé! Em Gn 15.1-21, alguns fatos importantíssimos acontecem... Abraão tinha um problema: Não possuía filhos! Deus então fala para ele que o seu herdeiro seria gerado dele próprio. Deus afirma que a posteridade de Abraão seria numerosa e ele creu, sendo portanto justificado por Deus! Ver ainda Rm 4.1-5. O cumprimento das promessas foi garantido, pois elas estariam baseadas somente em Deus! v. 7-21. Neste capítulo é feita uma aliança! Mesmo com tudo o que o Senhor falara, Abraão é persuadido por sua mulher a ter relação sexual com a sua escrava Agar (Gn 16) e, por causa desta “ajudinha”, foi causado um grande problema até os dias atuais. Entretanto, a aliança fora feita por Deus com Abraão e não dependeria de esforços humanos, daí ser recebida pela fé, o seu filho deveria nascer de Sara e o Senhor confirma isto em Gn 17.1-22. Deus institui a prática da circuncisão como sinal da sua aliança com Abraão. Neste capítulo Deus muda o nome de Abrão (pai exaltado) para Abraão (pai de multidões) (v. 5) e o de Sarai (contenciosa)para Sara (princesa)(v.15).

II.4) O nascimento de Isaque Aos 90 anos (Gn 17.17) Sara deu à luz ao seu filho Isaque, cumprindo-se a Palavra do Senhor (Gn 21.1,2). Abraão estava com 100 anos quando nasceu o seu filho Isaque (Gn 17.17; 21.5). O nascimento do filho da promessa, mostrou a Abraão o quanto Deus é fiel e certamente cumpriria a sua Palavra (veja novamente Gn 15.1-6). Na próxima aula estaremos caminhando pela história de Israel partindo de Isaque até o nascimento de Jacó.

Abraão, Hagar, e Ismael

Gênesis 21:9-12
Explicação
A passagem das Escrituras desta semana trata da dissensão na família de Abraão. A leitura devocional, Gênesis 16, fornece o estudo adicional para a passagem discutida. Ela mostra que, mesmo antes do nascimento de Ismael, a ação de Abraão conduziu à dissensão. Gênesis 16:4 revela que, quando Hagar soube de sua gravidez com Abraão, ela começou a desprezar a esposa de Abraão, Sara. Isso levou Sara a maltratar Hagar e, então, Hagar fugiu de Sara. É interessante notar que Abraão não foi a única pessoa a receber uma promessa de Deus a respeito de seus descendentes. A própria Hagar recebera uma promessa parecida. Em Gênesis 16:9-12, lemos que Deus prometeu a ela muitos descendentes, e que eles seriam muito numerosos para se contar. Isso soa muito parecido com a promessa dada pelo Senhor a Abraão (Gênesis 15:1-5).
Entretanto, a segunda parte da promessa de Deus a Hagar não era tão maravilhosa assim... Ismael teria uma personalidade divisória; as pessoas estariam contra ele, e ele viveria em hostilidade com os irmãos.
Na passagem de hoje, vemos a dissensão começando a aparecer após o desmame de Isaque. Gênesis 21:8-11 diz que, quando Ismael tinha aproximadamente 17 anos e Isaque, 3, Ismael começou a zombar do irmão. A reação de Sara serviu, então, para promover a tensão dos relacionamentos. Ela chamou Ismael de “o filho dela” (referindo-se a Hagar) e chamou Isaque de “meu filho” (V. 10). Assim, ela iniciou uma enorme divisão entre os dois (e entre Hagar e ela mesma). A conseqüência fica evidente: muita dor pessoal a Abraão, pois ele considerava tanto Ismael como Isaque “seus” filhos (v. 11).
O que vemos aqui é a criação de duas linhagens diferentes dentro da família de Abraão. Os descendentes de Isaque (vindos de Jacó) tornar-se-iam conhecidos como judeus; os descendentes de Ismael, como árabes. Durante toda a sua história, essas duas linhagens familiares foram opostas. Essa oposição é o legado infeliz da tentativa de Abraão de cumprir a promessa de Deus usando sua própria força.
Exploração
Conforme discutimos na semana passada, Deus escolheu seres humanos específicos e, a partir deles, começou a criar um grupo especial: a família da promessa. E escolheu Abraão para ser o pai desta família.
Ele também deixou claro que essa linhagem familiar existiria a partir do filho de Abraão, Isaque (Gênesis 17:21; 21:12). Entretanto, o que Deus faria com o outro filho, Ismael? Afinal, este nasceu por causa de uma decisão errada por parte de Abraão e de Sara. Alguns até diriam que Ismael nasceu por causa do pecado de Abraão. Ele não era parte do plano original de Deus para este novo povo. Como teria sido fácil para o Senhor simplesmente apagar o erro de Abraão, deletando Ismael da história da humanidade! O Deus que nós conhecemos, entretanto, não trabalha dessa maneira. Em vez de alterar a História, ele trabalha com o seu decorrer. Assim, não baniu Ismael; ele abençoou-o. Gênesis 25:12-18 fornece a narrativa de Ismael e de seus descendentes. Vemos, então, que Deus cumpriu a promessa feita a Hagar de que seus descendentes seriam muito numerosos de contar (Gênesis 16:10; cf. Gênesis 21:13,18).
Devemos notar que Deus permite que a história da humanidade continue apesar das escolhas erradas, e ele também autoriza que as conseqüências dessas escolhas erradas continuem. A oposição entre descendentes de Isaque e descendentes de Ismael é um grande exemplo disso. Até os dias de hoje, a grande inimizade entre judeus e árabes é evidentemente percebida em acontecimentos diários. Isso traz uma pergunta importante. É possível para não-judeus (gentios) receber algumas bênçãos que Deus deu aos judeus? Como cristãos, acreditamos que a resposta é um ressonante “sim!” A bênção mais profunda que um gentio pode receber de Deus é o relacionamento com ele. Se somos judeus ou gentios, esse relacionamento é obtido da mesma maneira: pela fé. Abraão, o pai dos judeus, foi considerado justo à vista de Deus por causa de sua fé no Senhor (Gênesis 15:6). Os gentios são também justificados perante Deus se têm fé em Jesus Cristo como seu salvador (Romanos 4:1-25).

Incentivo
Como Batistas do Sétimo Dia, nós também somos cientes de uma outra surpreendente bênção que Deus nos deu: o sábado. É uma vergonha que a maioria dos cristãos pareça ter perdido tal bênção! Em razão de terem se tornado legalistas (defendendo a salvação pelas obras), muitos perdem a bênção proveniente da lei. Certamente somos abençoados pela lei, porque nos mostra como Deus criou este mundo.
O sábado, por exemplo, é uma faceta da composição temporal deste mundo, incluindo nossos próprios corpos. Alinhar nossa vida com a lei pode nos abençoar; fazendo assim, estamos alinhando nossa vida à realidade. Guardar o sábado é uma maneira de assegurar que estejamos usando nosso corpo da maneira como foram projetados para serem usados. Para ser claro, nós Batistas do Sétimo Dia não olhamos para a lei para nos salvar; afinal, somente Jesus Cristo pode salvar. Entretanto, olhamos para a lei para nos abençoar.
Essa é uma liberdade nossa: a habilidade de receber a bênção da lei, porém de rejeitar sua maldição. Paulo usou a história de Abraão, de Isaque e de Ismael para discutir essa idéia com os cristãos, em Galácia, há mais de dois mil anos (Gálatas 4:21-31). Alguns povos, conhecidos como judaizantes, tentavam tirar a liberdade dos irmãos de Gálatas em Jesus Cristo.
Diziam que os crentes, em Gálatas, seriam justos aos olhos de Deus somente se obedecessem à lei do Antigo Testamento, além de manterem a fé em Jesus. Paulo fortemente refutou seu ensinamento usando a ilustração de Ismael e de Isaque. Ismael nasceu de maneira ordinária, pelo ventre de Hagar. Isaque, entretanto, nasceu como resultado de uma promessa. Era somente por meio da promessa divina que o ventre de 90 anos de Sara poderia dar nascimento a um filho.
Paulo disse que nós também, como Isaque, somos filhos nascidos de uma promessa. Tornamo-nos filhos de Deus não por cumprirmos as exigências da lei (da maneira comum); mas porque recebemos a promessa divina - a salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda pessoa pode receber tal promessa. Mesmo um descendente de Ismael é qualificado para receber essa bênção. Recorde a afirmação de Deus de que sua linhagem familiar dar-se-ia a partir do filho de Abraão, Isaque. Pela fé em Jesus, alguém que não é descendente natural de Isaque pode se transformar em descendente de Isaque: um descendente nascido da promessa de Deus.
“Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência.” Gênesis 21: 13.
Explicação
Nesta semana, veremos como Deus selecionou alguns seres humanos específicos e, deles, começou a criar um grupo especial: a família da promessa. Nossas passagens bíblicas mostram que a promessa foi feita primeiramente a Abrão. Vemos, então, a reação de Abrão à promessa divina e notamos que ele e Sara tentaram cumpri-la com seus próprios métodos, com resultados completamente insatisfatórios. Finalmente, temos o prazer de ler sobre a realização, por Deus, de sua promessa.
Gênesis 15 fala da promessa que Deus fez a Abrão. (Aqueles que procuram um nível mais profundo de compreensão devem também ler Gênesis 12; trecho no qual a promessa fora primeiramente revelada.) A promessa é composta de duas partes: 1) Deus prometeu que a prole de Abrão seria muito numerosa para ser contada; 2) Também prometeu dar a Abrão e a seus descendentes uma terra para habitar. Ou seja, prometia um povo e um lugar.
Para aqueles que querem se aprofundar nesse estudo, Gênesis 15 é uma narrativa muito rica. Alguns comentadores vêem aí duas aparições de Deus a Abrão (vs. 1-6, 7-21). Se foram ou não duas aparições separadas, não sabemos ao certo. Contudo, parece que ele fez sua promessa a Abrão duas vezes. (Estava ele certificando-se de que Abrão compreendera inteiramente o prometido?)
Ambos os eventos seguem um roteiro similar: uma declaração inaugural por Deus (vs. 1, 7), a resposta inicial de Abrão à declaração divina (vs. 2-3, 8) e, finalmente, a resposta de Deus a Abrão (vs. 4-5, 9-21).
A circunstância que liga essas duas seções da narrativa é uma declaração, fundamental à nossa compreensão para definirmos a família da promessa: verso 6. Relaciona-se a atitude (confiança em Deus) à posição (retidão perante Deus). Durante milhares de anos, desde que a indicação foi gravada em Gênesis, essa idéia de justificação pela fé foi literalmente levada adiante em milhões de sermões, em lições da Bíblia, em cartas e em apresentações evangélicas. Por exemplo, o apóstolo Paulo - a quem alguns consideram o teólogo preeminente do Novo Testamento - baseou-se fortemente em Gênesis 15:6, ao fazer suas discussões sobre justificação pela graça através da fé (por exemplo, Romanos 4, Gálatas 3).
Exploração
Deus escolheu Abrão para ser o pai deste novo povo, desta família de promessa. A idéia de os israelitas como uma família da promessa é vista pelo menos de duas maneiras. Primeiramente, Deus prometeu a esse povo, começando com Abrão, que o abençoaria ao longo de suas gerações: fá-lo-ia uma grande nação e dar-lhe-ia sua própria terra. Segundo, foi somente pela promessa de um milagre divino que a família sobreviveu além de uma geração.
Quando Deus escolheu e chamou Abrão (Gênesis 12), ele tinha 75 anos, e sua esposa, Sarai, aproximadamente 65. Naquela época, o Senhor prometeu transformar Abrão em uma grande nação. Entretanto, dez anos mais tarde (Gênesis 16), ele ainda não tinha prole alguma e via sua esposa, de 75 anos, muito idosa para lhe dar filhos. Conseqüentemente, fez sua própria tentativa de cumprir a promessa de Deus, dormindo com a empregada de Sarai, Hagar. (Discutiremos mais detalhadamente esse episódio na próxima semana.)
Na época de Gênesis 17:15-22, quando Deus prometeu a Abraão (assumindo um novo nome) um filho vindo de sua esposa Sara (também adquirindo um outro nome), ele já completara 99 anos, e Sara, 89. É preciso, então, perguntar por qual motivo ele riu ao ouvir tal promessa? Seria literalmente um milagre se Sara concebesse e tivesse uma criança. Essa mesma reação de riso foi exibida por Sara quando também recebeu a promessa (18: 10-15). A maioria de nós recorda de Sara rindo da promessa de Deus, mas devemos pensar que tanto ela como Abraão tiveram a mesma reação. Nenhum deles creu que Deus lhes cumpriria a promessa.
Como é maravilhoso ver, finalmente, em Gênesis 21:1- 8, a realização concreta da promessa de Deus a Abraão e a Sara quando do nascimento de Isaque! O riso do casal, carregado de frustração e de desespero, transforma-se em um sorriso pleno de alegria! Gênesis 21:1 claramente mostra que essa foi a realização da promessa divina, tornando possível o nascimento de Isaque. Isso releva para nós uma noção: a comunidade que está sendo trazida para a existência fora resultado direto do desejo e da ação de Deus. A família de promessa não foi uma criação de uma determinação humana. O novo povo de Deus foi resultado direto do trabalho criativo de Deus aqui na terra.
Incentivo
Eu fui um seguidor de Jesus Cristo por, aproximadamente, vinte e cinco anos. Tirando todos os outros membros de minha família, conheço apenas um outro cristão: minha irmã. Eu e ela oramos pelo restante de nossos familiares e tentamos ser pacientes, porque ainda não vimos um deles sequer ir a Jesus. Às vezes, em minha limitada sabedoria humana, não tenho esperança de salvação para minha família. Entretanto, preciso acreditar que será somente com os milagres de Deus que essas pessoas terão fé em Cristo. Afinal, os milagres divinos foram necessários para que eu acreditasse nele e, da mesma forma, minha irmã, oito anos mais tarde.
Da mesma forma ocorre com o que é descrito nestas passagens de hoje, em Gênesis. Sara, com 90 anos, poderia conceber e dar à luz a Isaque, porque Deus realizava seus milagres usando-a. Isso foi o necessário para começar o desenvolvimento da família de Abraão: o toque direto de Deus em sua vida. O que é necessário para que meus familiares creiam verdadeiramente em Deus? O toque direto dele na vida deles. Torna-se urgente reservar um espaço para os milagres do Senhor em minha família. E traz esperança! Eu percebo, agora, que tenho duas famílias: a natural e a espiritual. Fui membro da natural desde meu nascimento físico, mas somente conheci a espiritual com meu nascimento espiritual. Há uma lacuna de vinte anos entre esses dois eventos. Minha esperança é que os membros de minha família natural igualmente se transformem em membros da espiritual. Entretanto, sou tentado a me afastar de minha família natural a fim de focar mais a espiritual. Não há algo errado em construir vínculos com meus irmãos de fé, mas eu também devo permanecer ligado à minha família natural. Afinal, foi minha interação com a minha irmã biológica que a levou a se transformar em irmã espiritual. Deus é aquele que a alcançou, mas me usou no processo.
Como você está fazendo para trabalhar em seus relacionamentos familiares naturais a fim de construir vínculos nas famílias espirituais? Está aberto para que Deus trabalhe usando você?
As linhagens familiares são tão importantes que muitas pessoas passam anos traçando árvores genealógicas. Por que o conhecimento de uma árvore familiar é tão significativo? Para os numerosos descendentes de Abraão e de Sara, a linhagem genealógica foi crucial. Pois, usando este casal idoso e seu filho Isaque, Deus escolheu criar a promessa divina para a raça humana.
Conseqüências da desobediência
Jeremias 7:11–15; 2 Reis 23:36–37
Contexto
O contexto histórico de nossa passagem é 2 Reis 23:36-37, o rei Jeoaquim governou Israel durante 11 anos, antes da destruição de Jerusalém em 587 AC. Ele subiu ao trono pouco tempo depois do reinado de Josias, que tinha promovido uma grande reforma religiosa e uma renovação da aliança de Israel com Deus. É interessante o quão brevemente precisamos ser relembrados de nossos compromissos com Deus! O texto nos fala que ele era um rei jovem (25 anos) que seguiu os passos de tantos antes dele – “fazendo o que era mau aos olhos do Senhor”.
O contexto literário está em 7:1:8-3, chamado de o sermão de Jeremias no templo. “A mensagem trazida pelo profeta foi tida como traição pelos governantes” (Brueggemann, pág. 77). Jeremias não foi tímido em sua diatribe contra a religiosidade que viu em Jerusalém, e os advertiu sobre as conseqüências de sua atitude. A mensagem dele era inflexível: conversão do erro ou ser excluído do lugar de adoração! Eles não deveriam se ocupar com práticas de adoração enganosas. A bênção que os israelitas recebiam no templo não era incondicional, mas estava vinculada a obediência à Torá.
O problema era que a falsidade estava sendo corajosa, infindável e indiscriminadamente repetida. Porém, havia chegado a hora de prestar contas de tais práticas. O templo estava sendo usado para que o clero (sacerdócio) tivesse controle social sobre seus conterrâneos. Jeremias sabia que tais práticas não garantiriam segurança aos sacerdotes quando a crise chegasse. A prescrição em Jeremias 7:1-7 é basicamente um resumo das exigências íntegras da Torá. “a retenção da terra não era por direito inerente, nem através de poder ou da liturgia, mas da prática da justiça e da obediência” (Brueggemann, pág. 79).

Contexto Histórico
Siló, no coração das colinas dos efraimitas, foi o local onde Israel realizou assembléias sagradas antes de Jerusalém. Escavações expuseram arquiteturas do século 11 A.C. O local foi datado como pertencendo à idade do ferro, mas as estruturas sagradas são provavelmente ruínas do tempo de Jeremias. Provavelmente Siló foi dominada pelos filisteus, como resultado da vitória em uma batalha. A citação de Siló e o conhecimento de seu lugar na história do povo de Deus são importantes porque cada um da audiência de Jeremias saberia muito bem o que havia acontecido e qual foi o destino de Siló. Quando o profeta trouxe sua última mensagem, usando a analogia de Siló em 7:12-15, podemos ver a seriedade com que ele viu as transgressões de Israel, pois profetizou-lhes a total erradicação de Israel. É difícil imaginar uma mensagem mais dura do que essa sendo transmitida ao povo de Deus. Como igreja, precisamos estar atentos a isto. Paulo, em Romanos do capítulo 9 ao 11, nos lembra que não há lugar para arrogância e desobediência na vida do cristão.

Aplicando
Conheço pais que nunca impõem conseqüências às ações de seus filhos. O problema neste tipo de atitude é que essas crianças sofrerão posteriormente as conseqüências de seus atos impostas pela vida. Pode-se evitar tal ocorrência ensinando-as desde cedo que cada ato seu tem uma conseqüência. Assim Deus age conosco; precisamos perceber que nossos erros terão conseqüências. Embora possamos nos arrepender e pedir perdão a Deus (e ele nos perdoará), isso não evita que soframos as conseqüências de nossos erros. O profeta Jeremias sabia que o povo de Deus enfrentaria duras conseqüências.
Veio à minha mente o meu próprio país. Fiquei a pensar no comentário de Walter Brueggemann sobre Jeremias:
“Será que podemos imaginar que nosso sistema industrial, militar, econômico e político esteja correndo o mesmo risco de Siló e Jerusalém? Fazer analogias para a vida contemporânea é algo perigoso. Mas a pregação criativa nos convida a ousar tais analogias como fez Jeremias. A sua analogia era tão arriscada quanto qualquer uma que poderíamos propor, porém penso que em algumas áreas não estamos muito diferentes de Siló ou de Jerusalém, sendo assim temos que cuidar para não colhermos as mesmas conseqüências” (Brueggemann, pág. 81).
Jeremias fala de uma “hipocrisia organizada” que se alastrava no templo e entre os sacerdotes de sua época. Você acha que há hipocrisia em sua igreja? Lembro-me de uma ocasião em que nossa igreja parecia estar crescendo, porém tivemos membros proeminentes que viviam abertamente em pecado na congregação e a liderança parecia não fazer nada. Esta inatividade provou ser uma linha fatal em nossa igreja - muitos membros deixaram nossa congregação por causa da falha daquela liderança em usar a disciplina. “Aqueles que violavam a Torá entravam no templo para administrar a liturgia como se eles fossem obedientes ao Senhor da liturgia. Eles não tinham nenhuma sensação de vergonha da distância entre sua liturgia e sua ética. Porém Deus tinha e as duras conseqüências vieram” (Brueggemann, p 79).
Foi dito que para muitos, você e eu seremos a única Bíblia que algumas pessoas irão ler. Nós somos a única fonte de conhecimento da verdade para eles. Isso significa que temos a responsabilidade de dar um bom testemunho de vida cristã.
Na mídia constantemente vemos os políticos sendo expostos como hipócritas. O mesmo ocorre com proeminentes líderes cristãos. Onde mais você vê hipocrisia no mundo contemporâneo? Em Jeremias 7:4, o profeta fala sobre palavras falsas e discursos repetitivos. Ele aponta para confiança irracional no “status quo” (os judeus eram o “povo escolhido”) que levou aquele povo a se distanciar da verdadeira adoração. Isso se aplica aos dias atuais? Qualquer liturgia pode atingir o nível de discurso vão. Precisamos, enquanto comunidade adoradora, colocar em prática nosso louvor a Deus, vivendo todos os dias da semana de forma a trazer glórias a ele. “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura” (João 4:23, NVI).
“Agora, pois, porquanto fazeis todas estas obras,” diz o Senhor … “E lançar-vos-ei de diante de minha face, como lancei a todos os vossos irmãos” (Jeremias 7:13a, 15a).

Núcleo da lição
Algumas pessoas agem impunemente, acreditando que sempre terão proteção contra as conseqüências de seus atos. Os cristãos podem ter esta visão? Jeremias diz que não escaparemos das conseqüências de nossos atos. Ao mesmo tempo, diz que Deus age em resposta às boas obras, verdadeira adoração e fidelidade.

Questões para estudo do texto
1. Qual o contexto desta passagem do livro de Jeremias? Qual mudança ocorreu? (Ver 2 Reis 23)
2. O que Jeremias pediu que Judá fizesse? Como poderia Judá desenvolver uma visão realista de sua situação política? Quão efetivo era o sistema do templo?
3. O autor da lição de hoje enfatiza “Para muitos, você e eu seremos a única fonte de conhecimento da Verdade”. Discuta esta afirmação.
4. Que exemplos de rotulação de cristãos como hipócritas pela mídia você tem visto? Quanto pode a hipocrisia afetar a vida cristã?
5. Que métodos práticos você pode desenvolver para evitar a hipocrisia por meio da abertura do seu coração para a verdade revelada pelo Espírito de Deus (Salmo 139:23) e pelo evangelho de Jesus Cristo?
Habacuque anuncia maldição
Contexto
Nosso texto é uma segunda resposta de Deus para Habacuque sobre seu questionamento a respeito da injustiça de se permitir que uma nação inimiga (neste caso os Caldeus) dominassem a Israel. O Senhor dá algumas palavras importantes ao profeta no segundo capítulo, versículo 3: “Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará”. Deus falou isso para recordar Habacuque que ele está no controle e ninguém mais. “O crescimento desenfreado da injustiça era difícil de reconciliar com a fé ancestral de Israel em um Deus que personificava a própria justiça, que requeria a justiça nos relacionamentos humanos e tinha o poder para obrigá-los a cumprir tal exigência" (Bruce, 832). Em Jeremias 22:13-19, o profeta acusa o rei egípcio de injustiça, assassinato, opressão e violência. Parece que esta era a situação vivida por Habacuque em seu clamor no capítulo 1. Provavelmente o clamor do profeta a Deus se referia à invasão e conquista de Judá pelos Caldeus.
O capítulo dois não tem um tom esperançoso até o verso 20. “Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” Neste ponto Habacuque se dá conta de que tudo está nas mãos de Deus e que devemos confiar em seu poder e louvar somente a ele. E é isso que o profeta faz no capítulo 3, concluindo seu livro. O ponto parece ser que não importa quão perturbadoras as ações do Senhor pareçam ser, ele está sendo consistente com o compromisso de sua aliança com seu povo. Como cristãos, sabemos a extensão do amor de Deus manifestado através de Jesus, que como Messias cumpriu todas as expectativas proféticas morrendo por nós na cruz.

Contexto Histórico:
Embora não possa ser considerado como “contexto histórico”, é interessante observarmos a citação paulina de Habacuque 2:4 em sua carta aos Romanos. Paulo, como Habacuque, tinha o foco em como os gentios seriam incluídos nos planos de Deus. Ele reconheceu que está completamente dentro do poder e soberania de Deus escolher como agirá na história para salvar seu povo, até mesmo usando de “inimigos” (como no caso de Habacuque) ou tendo o “inimigo” enxertado, como discutido por Paulo em Romanos 9-11. Em ambos os casos, Paulo e Habacuque lamentam o fato da lei ser insuficiente para conter a maldade. Especificamente, Habacuque viu a lei impossibilitada de conter o mal, e “isto também pode ter levado Paulo a citar Habacuque, uma vez que ressoou muito bem com suas próprias preocupações” (Watts, pág. 6).
Na frase crucial “o justo viverá pela fé” (ou lealdade, o que na minha visão seria a tradução correta do termo hebraico) Habacuque volta à visão do capítulo 2.2-3 que declara que haverá uma revelação (Jesus) que mostrará como o justo poderá viver pela fé. Esta revelação é concernente à intervenção de Deus, que aniquilará as raízes do mal. Por que coisas ruins acontecem ao povo de Deus? Habacuque que conhecia as promessas de Deus para Israel, sabia que Deus não abandonaria Judá à sua própria sorte. Paulo conhecia muito bem as promessas de Deus para Israel e tinha o privilégio de ter as revelações que Habacuque não teve sobre o Cristo e tinha a seguinte indagação, “O que será de Israel?” A resposta vem em Romanos 9, e é parecida com as repostas para Habacuque, no final dos dias quando estes mistérios serão revelados e os planos de Deus serão cumpridos. Ele está no controle e é fiel. Esta verdade traz-nos esperança, pois vivemos num mundo cheio de exemplos legítimos do problema do mal. “Não importa o que pareça, argumenta o apóstolo Paulo, Deus ainda é fiel à sua palavra, e, como em Habacuque, vida será vivida com base na fé.” (Watts, pág. 19).
Paulo escreveu aos Romanos que ele não se envergonhava do Evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvação da humanidade. O apóstolo sabia que o Evangelho é a revelação fiel do plano da salvação. E que a salvação pela fé é a base do evangelho revelado, que sabemos ser Jesus Cristo, aquele que venceu o mal na cruz.
Israel não era fiel, este era seu problema. Nós não devemos professar fé em Cristo e então viver como se nós não o conhecemos. Não podemos viver como se não conhecêssemos Cristo. Tal atitude é oposta ao Evangelho e desagrada a Deus. Nós constantemente devemos ser desafiados a viver conforme a oração do profeta Habacuque no capítulo 3. Nossa única esperança é viver as promessas de Deus neste mundo que anseia por luz, por ver a luz de Deus em nossa vida por meio de nosso testemunho.

Aplicando
Fidelidade é a marca de um crente. Muitas das vezes os cristãos, professam uma fé, porém vivem de maneira diferente do que falam. Devemos ser um povo comprometido a viver tendo Cristo como Rei absoluto de nossa vida. Isso é fidelidade. Deste modo, inspiraremos esperança em nossos irmãos e irmãs. Habacuque mostra que devemos nos achegar a Deus com fé e confiar no poder da oração. Se vivermos nossa vida verdadeiramente cristocêntrica e seguirmos fielmente o que Cristo nos ordenar, coisas extraordinárias acontecerão em nossa vida. A visão do profeta Habacuque de uma vida de fé foi fielmente cumprida em Cristo, que viveu em obediência pela fé, provendo assim um exemplo a ser seguido por cada cristão. Devemos diariamente tomar a nossa cruz e seguir a Jesus!
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